Polícia Militar
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Principal suspeito de vender prédios que caíram no Rio é preso em PE

José Bezerra de Lira alegou à polícia que fugiu porque temia a milícia; desabamentos deixaram 24 mortos na Muzema

Vinícius Brito e Fabio Grellet, especial para o Estado

19 de setembro de 2019 | 11h30
Atualizado 20 de setembro de 2019 | 10h54

RECIFE / RIO DE JANEIRO - Apontado como líder do grupo que vendeu os apartamentos que caíram na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, em 12 de abril, José Bezerra de Lira foi preso nesta quarta-feira, 18, em um sítio em Afogados da Ingazeira, no sertão de Pernambuco.

Foragido desde maio, Zé do Rolo, como também é conhecido, estava com espingardas e munições e tentou fugir quando percebeu a chegada dos policiais, mas não conseguiu. 

Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, há dois meses a instituição recebeu informações de que Zé do Rolo estava na região, onde mora sua família. Desde então os agentes tentavam localizá-lo. O comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar, major Fabrício Vieira, disse que Zé do Rolo realizou uma festa no sítio - a propriedade foi adquirida de um cunhado. "A partir do momento em que ele começou a levar uma vida quase normal, passou a despertar a curiosidade da população e as informações chegaram mais rapidamente para nós", explicou o major. 

Segundo o delegado Ubiratan Rocha, da Delegacia de Afogados da Ingazeira, o miliciano relatou ter deixado o Rio no mesmo dia do desabamento dos prédios na Muzema, 12 de abril. Vinte e quatro pessoas morreram na tragédia

Em depoimento informal, Zé do Rolo teria dito que fugiu do Rio porque estava sendo ameaçado pelo próprio grupo miliciano que é acusado de integrar. Ele ainda vai prestar depoimento formal à Polícia Civil de Pernambuco antes de ser transferido para o Rio. Ele e outros dois comparsas já respondem pelos 24 homicídios com dolo eventual (quando se admite a hipótese de causar a morte). 

Além dele, respondem por esses crimes Rafael Gomes da Costa, que se entregou na delegacia do Leblon (zona sul) em 17 de maio, e Renato Siqueira Ribeiro, detido em Nova Friburgo (Região Serrana do Rio) em 5 de julho. O crime é investigado pela 16ª DP (Barra da Tijuca), que, a partir do depoimento de Zé do Rolo, espera identificar outros responsáveis pela construção e comercialização dos prédios que desabaram. Além das 24 mortes, os três suspeitos devem ser investigados pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. 

A PM também investiga venda de imóvel pela mesma milícia em áreas do Nordeste.

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