REUTERS / Ricardo Moraes
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Promotor requisita investigação de delegado afastado de caso de estupro no Rio

Alessandro Thiers foi responsável pelo início da apuração do crime, mas foi alvo de críticas da adolescente vítima da violência

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2016 | 18h35

RIO - O promotor Homero das Neves Freitas Filho, titular da 23.ª Promotoria de Investigação Penal, requisitou à Corregedoria de Polícia Civil a instauração de inquérito policial para apurar supostas práticas pelo delegado Alessandro Thiers de crime previsto no artigo 232 da Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente), “submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento”.

Thiers é titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) e foi responsável pelo início da investigação do caso de estupro coletivo a que foi submetida uma adolescente de 16 anos. Após acusações de que estaria agindo de forma inadequada na condução do inquérito, a investigação passou a ser feita por uma delegada.

O promotor afirma, no documento protocolado nesta quarta-feira, 1, que é “imperioso apurar os fatos”. Freitas Filho requereu a oitiva de todos os policiais que atuaram nas investigações, da mãe da vítima e da advogada que acompanhou os depoimentos na DRCI.

Depoimento. A adolescente de 16 anos que foi vítima de estupro coletivo no Rio afirmou neste domingo, 29, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, que está recebendo ameaças pela internet e que se sentiu desrespeitada na delegacia onde prestou dois depoimentos.

“Quando vim à delegacia, não me senti à vontade em nenhum momento. Acho que é por isso que as mulheres não fazem denúncias”, disse a adolescente. Ao explicar o que aconteceu na delegacia, a jovem afirmou: “Tentaram me incriminar, como se eu tivesse culpa por ser estuprada”.

A adolescente reclamou da exposição durante o depoimento e da indiscrição dos policiais. Segundo ela, ao ser interrogada, havia três homens dentro da sala, incluindo o delegado Alessandro Thiers, então encarregado do caso. 

“A sala era de vidro e todo mundo que passava via. Ele (o delegado) botou na mesa as fotos e o vídeo, assim, expostos e me falou: ‘Conta aí’. Não perguntou se eu estava bem, como estava me sentindo, se tinha proteção. Ele perguntou se eu tinha o costume de fazer isso (sexo grupal), se gostava de fazer isso.”

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