FABIO MOTTA / ESTADÃO / 12-3/2019
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Promotoras se afastam da investigação do assassinato de Marielle Franco

Simone Sibílio e Letícia Emile decidiram se afastar da força-tarefa do MP-RJ. Motivo não foi informado. Anielle Franco, irmã da vereadora assassinada em 2018, disse que a família foi pega de surpresa

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2021 | 19h58
Atualizado 10 de julho de 2021 | 21h22

RIO - As promotoras de Justiça Simone Sibílio e Letícia Emile decidiram se afastar da força-tarefa que investiga o assassinato da vereadora Marielle Franco  e do seu motorista, Anderson Gomes. Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, a decisão foi voluntária. O motivo não foi informado. 

"A Procuradoria-Geral de Justiça do MPRJ reconhece o empenho e a dedicação das promotoras ao longo das investigações, que não serão prejudicadas. O MPRJ anunciará em breve os nomes dos substitutos das promotoras na força-tarefa", informou, em nota. 

Anielle Franco, irmã de Marielle, disse que a família foi pega de surpresa com a notícia. "Saiu o delegado. Agora, as promotoras. A gente não consegue saber o que está acontecendo. É desesperador. Não podemos perder as esperanças. Mas com tantas mudanças...", afirmou.  

As promotoras Simone e Letícia assumiram o caso em setembro de 2018, seis meses após o assassinato. Segundo Anielle, as duas eram muito próximas da família. Segundo o jornal O Globo, elas teriam optado por deixar as investigações devido a possíveis interferências externas em seus trabalhos. 

No último dia 7, também deixou o caso o delegado Moysés Santana, substituído por Henrique Damasceno como titular da Delegacia de Homicídios (DH) da capital fluminense. Essa foi a terceira mudança de delegado desde o início das investigações. 

O deputado federal Marcelo Freixo (PSB) atrelou o afastamento voluntário das promotoras à delação premiada de Júlia Lotufo, viúva do miliciano Adriano da Nóbrega. Em vídeo, no Instagram, Freixo diz que a situação "é gravíssima" e cobra do governador fluminense, Cláudio Castro (PL), um posicionamento público. 

"Algo aconteceu que as promotoras da força-tarefa, que estão há três anos à frente do caso Marielle, pessoas sérias e corretas, se afastaram. O governador tem que explicar o que a delação tem a ver com o caso Marielle e outros crimes do Rio", afirmou o deputado. "Por que houve a troca do delegado na mesma semana que as promotoras saíram do caso? Uma delação premiada pode ser importante, mas pode estar querendo desviar algum interesse", acrescentou. 

Adriano Nóbrega morreu durante uma operação da polícia baiana. Ele era acusado de ligação com o "Escritório do Crime", uma organização miliciana do Rio de Janeiro. Sua esposa, Júlia Lotufo, cumpre prisão domiciliar por associação criminosa e lavagem de dinheiro e acertou com o Ministério Público revelar, em delação premiada, informações relevantes sobre crimes cometidos por Adriano. "A informação é de que teria algo importante a dizer sobre o caso Marielle", disse Freixo. 

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