Felipe Dana/AP
Felipe Dana/AP

Protesto contra morte de garoto tem confronto no Rio

PMs atiraram bombas de gás durante protesto no Alemão; policiais que participaram de ação anteontem foram afastados

Danielle Villela, Mariana Durão e Sergio Torres, O Estado de S. Paulo

03 de abril de 2015 | 17h12

Atualizada às 21h38

RIO DE JANEIRO - Policiais militares e manifestantes entraram em confronto na tarde de ontem na Estrada do Itararé, principal acesso ao Complexo do Alemão, zona norte do Rio, onde quatro moradores foram mortos nos últimos dois dias. A população protestava contra o homicídio do estudante Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, atingido por um tiro de fuzil anteontem. Policiais que participaram da ação que culminou na morte do menino foram afastados.

A manifestação reuniu cerca de 300 moradores, que chegaram a interditar o trânsito na via. A Polícia Militar, com 270 homens, reagiu ao fechamento da pista e à tentativa dos manifestantes de chegar à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Alemão.

Segundo moradores, os PMs foram violentos e teriam começado o confronto ao disparar as bombas de gás. Um policial foi filmado jogando spray de pimenta na direção dos manifestantes, a maioria mulheres e crianças que balançavam panos brancos para pedir paz. Já os PMs disseram que só atiraram bombas porque começaram a ser alvo de pedras arremessadas por pessoas no protesto.

Tensão. Desde cedo a situação na favela era tensa. O complexo amanheceu cercado pela PM, que patrulhava os principais acesso com tropas do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP).

O temor de represálias por parte de quadrilhas que atuam no complexo fez os PMs montarem barricadas. Tonéis cheios de concreto e areia foram utilizados para proteger as UPPs.

Eduardo foi morto na tarde de anteontem em uma região conhecida como Areal, na porta da casa em que vivia com os pais, José Maria Ferreira e Terezinha Maria de Jesus. Naquele momento, PMs e criminosos trocavam tiros. Terezinha responsabiliza os policiais pelo tiro que matou Eduardo.

“Eles acabaram com a vida do meu filho, um inocente. Meu filho estudava, passava o dia todo no colégio, só tirava nota boa”, disse ela, durante protesto organizado por moradores na noite de anteontem. 

A PM não aceita a versão de que um policial foi o autor do disparo que vitimou a criança. No entanto, apreendeu as armas dos policiais que trocaram tiros com os traficantes e os afastou das atividades de rua. As armas serão submetidas a exame balístico, para verificar se o tiro partiu de alguma delas.

Pelo Twitter, o porta-voz da CPP, major Marcelo Corbage, se solidarizou com a família. “Precisamos fazer deste episódio uma bandeira para mudança. Não podemos permitir que outras famílias sintam a dor da mãe de Eduardo. A morte do Eduardo não ficará impune.” Para Corbage, é prematuro apontar a responsabilidade pelo tiro. 

Policiais do Choque e da CPP que estavam no confronto já respondem ao Inquérito Policial Militar (IPM). Na noite de anteontem, uma perícia foi realizada no local onde Eduardo morreu. Familiares foram ouvidos.

O governo do Estado do Rio anunciou no início da noite de ontem que arcará com as despesas de traslado e sepultamento de Eduardo. Por desejo da família, o garoto será sepultado no Piauí, onde Terezinha nasceu. 

Em nota, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) declarou que o Estado está dando total assistência à família e que a morte de Eduardo não ficará impune. “Estou profundamente consternado. Conversei com o seu José (pai de Eduardo) e me coloquei à disposição da família para ajudar a abrandar a dor no coração dele e da mãe.”

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