Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Quase 2 semanas após chegada da polícia da proximidade, policiais não têm cartão de visita

Promessa de cartão para distribuir aos moradores foi feita na inauguração da Cipp, que leva ao asfalto estratégia de policiamento comunitário; capitão diz que material chega na terça-feira

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

06 Março 2015 | 19h03

RIO - Quase duas semanas após a inauguração da primeira Companhia Integrada de Polícia de Proximidade (Cipp), no Grajaú (zona norte do Rio), policiais da unidade ainda não têm cartões de visita para distribuir aos moradores. Essa era uma promessa da nova companhia, que leva ao asfalto a estratégia de policiamento comunitário proposta  pelo projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), implementado há sete anos pelo governo estadual.

Parte dos policiais que patrulham a área abrangida pela Cipp trabalha com telefones celulares próprios, já que os prometidos pela Polícia Militar (PM) ainda não foram entregues.

Até a chegada dos cartões e dos celulares, os patrulheiros da Cipp têm passado aos moradores o número do telefone do comandante da unidade, capitão Gustavo Matheus, para quem a falta do cartão não faz diferença.

Segundo ele, como os mesmos policiais patrulham sempre o mesmo conjunto de ruas, não precisam de cartões de visitas para se tornarem conhecidos pelos moradores. “Terça-feira que vem eles estarão com o cartão na mão”, disse.


Matheus afirmou ainda que apenas alguns policiais que patrulham ruas mais próximas da sede do 16º Batalhão de Polícia Militar (BPM), a que a Cipp é vinculada, ainda não têm celulares funcionais. 

Índices em queda. Na análise do capitão, os índices de criminalidade estão caindo na região desde a inauguração da Cipp, no último dia 24. Nos quatro primeiros dias do novo policiamento, foram registrados três roubos contra pedestres na 20ª DP (Vila Isabel). No mês de janeiro, de acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), houve 81 ocorrências do tipo na mesma delegacia. “Nós estamos bem abaixo da meta estipulada pelo ISP”, disse.

Um dos próximos passos da companhia integrada, afirma o comandante, é realizar um curso de segurança para porteiros e síndicos. “A gente ainda está costurando esse curso porque queremos uma coisa bacana com outros parceiros. Nossa ideia é que outros atores participem, como o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil.”

Apesar da ausência dos cartões, a avaliação dos primeiros dias de funcionamento da nova companhia são positivos. Moradores do Grajaú relatam que os policiais são atenciosos e que o reforço do patrulhamento, realizado por 110 homens, é visível. Em 30 minutos demarcados durante a apuração desta reportagem, cinco carros da PM passaram na Rua Maxwell na altura do Boulevard, na divisa entre os bairros de Vila Isabel e Grajaú. Em uma hora, quatro duplas de policiais da Cipp, identificados com uma arma de choques amarela e um colete com faixas laranjas, foram avistadas entre o Boulevard e a Praça Verdun, no centro do Grajaú.

“Melhorou, isso eu tenho certeza. Aqui tinha muito usuário de crack dormindo e eles já saíram. Esta semana ainda vi uma mulher ser assaltada na rua, mas os assaltos diminuíram muito. Vamos ver se esse projeto vai ser sustentável”, disse o comerciante Francisco Moreira, de 42 anos.

A professora Carmem Lúcia Tindó, de 67, afirmou que a “humanização da polícia” é o aspecto mais importante da Cipp. “Estou com muita esperança que não haja abuso de poder. O que a gente via era a polícia pegando dinheiro de lojistas em troca de proteção contra assaltos.”

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