WILTON JUNIOR / ESTADÃO
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Quinze anos após assassinatos, policiais vão começar a responder acusação no Rio

Três agentes do 14º Batalhão são acusados de executarem dois jovens na Favela do Sapo, em setembro de 2005. Tiros foram disparados a curta distância

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2020 | 22h05

A Justiça do Estado do Rio de Janeiro aceitou nesta segunda-feira, 3, denúncia contra três policiais militares que atuam no 14.º Batalhão, sediado em Bangu, na zona oeste da capital. Eles são acusados de executar dois jovens na Favela do Sapo, em Senador Camará (zona oeste do Rio), em setembro de 2005.

Os três policiais foram denunciados à 3.ª Vara Criminal do Rio pelo Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ), por meio da 2.ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial da área Bangu e Campo Grande. Segundo a denúncia, a análise técnico-pericial demonstrou que os PMs dispararam tiros a curta distância contra Paulo Roberto Tavares da Silva, de 21 anos, e Jorge Luis da Silva, de 16.

Segundo a perícia, pelo menos três das cinco lesões sofridas por Jorge Luis eram compatíveis com tiros disparados à queima-roupa, de acordo com a perícia do Instituto Médico Legal. Uma lesão na região torácica direita de Paulo Roberto também indicou disparo a curta distância. A investigação concluiu que os crimes foram cometidos mediante recurso que impossibilitou a defesa das vítimas.

Ao receber a denúncia, o juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira determinou que os policiais compareçam mensalmente à 3ª Vara Criminal, para informar e justificar suas atividades, proibindo-os de manter contato com parentes das vítimas e eventuais testemunhas e determinando que eles mantenham distância superior a 500 metros delas. Na decisão, o magistrado afirmou que a denúncia “expôs com clareza os fatos criminosos e todas as suas circunstâncias”.

Até a publicação desta reportagem, o Estadão não localizou os policiais nem representantes deles para comentar a denúncia.

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