Reprodução Google Street View
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Soldado do Exército é preso por vazar informações sobre operação

O militar Matheus Ferreira Lopes Aguiar, de 19 anos, teria prevenido traficantes da ação desencadeada em Niterói

Constança Rezende e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2017 | 10h23

RIO - Um soldado do Exército foi preso nesta segunda-feira, 21, sob suspeita de vazar informações sobre uma das operações realizadas pelas Forças Armadas e pelas polícias contra a criminalidade no Rio. O militar Matheus Ferreira Lopes Aguiar, de 19 anos, teria prevenido traficantes da ação desencadeada em Niterói, na região metropolitana, no dia 16. 

Naquela ocasião, apesar da mobilização de milhares de agentes, nenhuma arma foi apreendida e só 13 pessoas foram presas. Mesmo diante do saldo modesto das duas primeiras mobilizações (na primeira, apenas três pistolas acabaram apreendidas), autoridades resistiam em admitir vazamentos.

Aguiar foi um dos 39 presos nesta segunda em nova operação de militares e policiais no Rio. Desencadeada na madrugada, a ação ocorreu nas comunidades de Jacarezinho, Alemão, Manguinhos, Mandela, Bandeira Dois e Parque Arará, além do Condomínio Morar Carioca, na zona norte. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, fez um balanço positivo do trabalho: as equipes apreenderam 310 quilos de drogas, 7 armas e 25 motos. 

Mais uma vez, porém, foram identificados indícios de vazamento. Reportagem da TV Globo afirmou que a Polícia Civil detectou ainda na noite de domingo mensagens em redes sociais antecipando a ação, que mobilizou 5.546 militares, que utilizaram 532 veículos, dos quais 46 blindados. As fontes seriam militares. Na operação desta segunda, não aconteceu apreensão de fuzis, outro sinal de vazamento de informações, pois os criminosos teriam tido tempo de esconder armas. 

Jungmann, porém, minimizou a importância dos dados vazados pelo militar preso. “Um soldado, por sua posição, não tem informações estratégicas. A capacidade dele de trazer prejuízo é muito limitada. É ruim? É. Mas são mais de 30 mil homens nas quatro operações. Esse vazamento é mínimo.”

Investigações indicaram que o soldado Aguiar teria informado ao traficante foragido da Justiça Marco Antônio Jacinto da Silva, o Biscolé, do Comando Vermelho (CV), o horário da ação e a localização dos policiais. Biscolé seria um dos chefes do tráfico no Complexo do Salgueiro, no município de São Gonçalo, região metropolitana do Rio. O soldado, que entrou para o Exército neste ano, foi detido no Batalhão de Jurujuba, em Niterói, onde serve. 

Uma das comunidades-alvo da operação desta segunda, o Jacarezinho, tem sido cenário de confrontos desde 11 de agosto. Foi quando o policial civil Bruno Guimarães Buhler, de 36 anos, integrante da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), acabou baleado no pescoço. Depois, morreu no Hospital-Geral de Bonsucesso. Ao todo, já são sete mortes e sete feridos desde o primeiro enfrentamento.

O secretário de Segurança, Roberto Sá, destacou nesta segunda que a letalidade violenta, que abarca crimes como homicídios e roubos seguidos de morte, caiu em julho 2,4%, na comparação com o mesmo mês de 2016, “a despeito das dificuldades do Estado”.

Escolas. A operação desta segunda deixou 26.975 alunos sem aulas – um recorde em 2017. Desde o início do ano, segundo a Secretaria Municipal de Educação, 143.474 foram afetados – um em cada cinco estudantes da rede carioca. Dos 122 dias de aulas até agora, em apenas 8 não houve fechamento de unidade em decorrência da violência. Nesta segunda, 41 escolas, 11 creches e 12 Espaços de Desenvolvimento Infantil não abriram. 

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