Região da morte de João Hélio registra maiores roubos em 2007

Menino foi arrastado por 7 km, depois que assaltantes roubaram o carro de sua mãe, em Oswaldo Cruz

Clarissa Thomé, de O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2008 | 17h49

A região em que o menino João Hélio Fernandes Vieites foi morto, há um ano, concentrou o maior número de roubo de veículos da zona norte em 2007 - 11 carros foram levados por dia, 4.014 em um ano. A quantidade equivale a quase 20% dos veículos roubados na Capital. O menino foi arrastado por sete quilômetros, depois que assaltantes roubaram o carro de sua mãe, a comerciante Rosa Cristina Vieites, em Oswaldo Cruz. João Hélio não conseguiu se livrar do cinto de segurança.   Veja Também:    Missa lembra um ano da morte do garoto João Hélio   A zona norte é dividida em sete áreas institucionais de segurança pública (AISPs). Juntas registraram 13.469 registros de roubos de carros, média diária de 37 veículos. O assalto a Rosa Fernandes Vieites ocorreu na área 9, que abrange 25 bairros, atendidos por seis delegacias e um batalhão da Polícia Militar.   Em fevereiro do ano passado, além do carro de Rosa Vieites, outros 429 veículos foram levados. No mês seguinte, apesar de toda repercussão do crime, esse número cresceu para 530. A partir de abril, os índices começam a melhorar e ao fim do ano houve em relação a 2006, quando 5.951 motoristas tiveram seus veículos levados. A queda de registros desse crime foi de 32%.   O Estado procurou o comandante do 9.º Batalhão, coronel Robson Batalha, mas não obteve resposta. Ontem, o secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame participou da missa de um ano da morte de João Hélio, na Igreja da Candelária, no Centro, mas recusou-se a dar entrevista e não comentou os índices. "Vim como pai prestar solidariedade. É a exemplo dessas mães que a secretaria continua lutando contra a violência", limitou-se a dizer, enquanto caminhava para o carro, cercado por seguranças.   A missa foi marcada pelo movimento Anjos pela Paz, que reúne mães que perderam seus filhos vítimas da violência. Os pais de João Hélio, os comerciantes Elson e Rosa Vieites, não foram à missa. "Eles estão sofrendo muito. Parece que a ficha está caindo agora. Tem sido muito difícil para eles enfrentar esse momento", disse Patrícia Bruno, amiga da família. Ela criou um blog (http://anjospelapaz.zip.net) e uma comunidade no Orkut (Justiça João Hélio) em homenagem ao menino.   Aline, a irmã mais velha de João Hélio, completa 15 anos no fim do mês. "Não vai ter nem comemoração. Eles passaram o Natal sozinhos, entre eles. A família tem respeitado essa opção dos pais de se recolherem", disse Patrícia.   Durante a missa, a advogada Regina Célia da Rocha Maia, integrante da ong Mães da Cinelândia, deu depoimento emocionado. Ela perdeu o filho, Márcio Otávio, de 25 anos. Em 1995, ele foi confundido com um seqüestrador e morto com um tiro na cabeça por um policial militar. Ao fim do depoimento, Regina foi consolada por Beltrame. "Ele disse que entende a minha dor, porque também perdeu uma irmã. E nos convidou a ir ao seu gabinete", disse.   Investigação   O delegado Hércules Nascimento voltou a investigar os quatro adultos condenados pela morte de João Hélio. Ele quer provar que Carlos Eduardo Toledo Lima, Diego Nascimento da Silva, Thiago Abreu Matos e Carlos Roberto da Silva atuavam como quadrilha. Os rapazes foram condenados a penas que variam de 39 a 45 anos, mas absolvidos da acusação de formação de quadrilha.   "Temos informações que pelo menos três deles freqüentavam o largo em que o corpo de João Hélio foi deixado. Ali era também ponto de desova de carros roubados. Espero que com a condenação, as vítimas de assalto se sintam mais seguras para denunciá-los", afirmou Nascimento.

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