WILTON JUNIOR/ESTADÃO
WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Reintegração de prédio de Eike Batista no Flamengo será nesta 3ª

Cerca de 90 pessoas ocupam antiga sede do Clube de Regatas do Flamengo há seis dias; grupo estava em terreno da Cedae

Danielle Villela, O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2015 | 10h54

Atualizada às 15h02

RIO - Advogados e assistentes sociais da Defensoria Pública do Rio de Janeiro fazem uma visita à ocupação do Edifício Hilton Santos, no bairro do Flamengo, na tarde desta segunda-feira, 13. Inicialmente, os policiais militares que fazem a vigilância do local quiseram impedir a entrada de parte da equipe, mas acabaram liberando o acesso após anotarem o nome e identificação de todos. 

"Essas famílias estão em cárcere privado. Quem sai eles não deixam mais entrar e agora não querem deixar a Defensoria Pública entrar? Isso é um absurdo", disse Maria Lúcia Pontes, defensora que coordena a ação. 

Na sexta-feira, 10, a Defensoria Pública entrou com um pedido de suspensão da liminar concedida pela 36ª Vara Cível para a reintegração de posse. Na visita desta tarde, os advogados e assistentes sociais pretendem cadastrar todas as famílias, dando prioridade às mulheres com crianças.

A reintegração de posse, no entanto, continua prevista para ocorrer na manhã desta terça-feira, 14. "Pode vir com tiro, porrada e bomba, nossa reivindicação continua. A gente não vai sair", disse Flávia Pereira, uma das ocupantes.

"Lá em cima não tem condições, está tudo podre. A gente não quer isso. Queremos que o Prefeito nos ofereça uma moradia digna, aí a gente sai", completou Célia Regina Cesario.

Morador há 35 anos do bairro do Flamengo, o médico José Lisboa questionava a eficácia da reintegração de posse. "Não é a solução. Vão tirar eles daí e eles vão ficar pelas ruas, muitos vão praticar roubos e assaltos", disse.  

 
Com 24 andares e vista para o Pão de Açúcar, a propriedade do Flamengo foi arrendada em 2012 pela REX, empresa imobiliária de Eike Batista, para a construção de um hotel. Com a crise financeira que atingiu o grupo, a reforma do prédio estava parada.

A ocupação ocorreu na madrugada do último dia 7, majoritariamente por removidos em 26 de março de um terreno da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), na zona portuária do Rio.

Há grávidas e crianças no grupo. Não há água potável no imóvel e só os dois primeiros andares dispõem de energia elétrica.

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