Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Reintegração de prédio de Eike tem confronto entre sem-teto e PM

Alguns ocupantes de edifício no Flamengo, na zona sul do Rio, atearam fogo no local; policiais militares usaram spray de pimenta

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2015 | 07h00

Atualizado às 21h23

RIO - Onze pessoas ficaram feridas sem gravidade nesta terça-feira, 14, na operação policial de reintegração de posse do Edifício Hilton Santos, arrendado pelo Clube de Regatas do Flamengo ao Grupo EBX, do empresário Eike Batista. Houve tumulto durante a retirada dos cerca de 300 invasores. 
Objetos foram queimados em andares acima do térreo. Policiais militares usaram golpes de cassetete e jatos de spray de pimenta. Antes da ação, uma sem-teto, grávida de 7 meses e meio, teve parto prematuro e foi hospitalizada. Ela e o recém-nascido passam bem.
O prédio no Flamengo, zona sul do Rio, foi ocupado no dia 7 e a Justiça determinou o despejo dos invasores. Ao amanhecer, a Polícia Militar ocupou o entorno, com 300 agentes. Após mediação de Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Defensoria Pública e Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), os ocupantes começaram a deixar a construção de forma pacífica, às 10h15.
Foi quando começou o tumulto. Ao notar que os invasores incendiaram folhas de papelão, os PMs ingressaram correndo no local. Para afastar ocupantes aglomerados no único acesso, aplicaram golpes de cassetete e lançaram spray de pimenta. Bombeiros controlaram as chamas com rapidez.
Parte dos sem-teto já aguardava do lado de fora do Hilton Santos. Dois ocupantes foram detidos. O comando da ação ainda deteve um PM acusado de lançar spray contra um desabrigado e o filho de 1 ano.
Abrigo. Nas negociações, os mediadores conseguiram da prefeitura o compromisso de oferecer 130 vagas em um abrigo em Santa Cruz (zona oeste). Haverá reunião hoje, às 14 horas, entre a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara e a Defensoria. O objetivo é que sem-teto sejam inseridos em programas sociais de Estado ou município. 

Nesta segunda-feira, 13, a Defensoria registrou 300 pessoas dentro do prédio, incluindo 63 crianças. Segundo relatos de ocupantes e ativistas, parte deixara o local de madrugada, antes da chegada da PM. “Não houve a presença de nenhum representante do Estado para tentar resolver essa situação, fora a Defensoria”, criticou o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, Marcelo Chalréo.
Após a desocupação, os sem-teto permaneceram nas imediações do imóvel, sem saber para onde ir. Um grupo se reuniu na Praça Cuauhtémoc, no Flamengo. Entre eles, o ambulante Mathias Fernandes, de 47 anos. 
Vendedor de mate na Praia do Leblon, ele e a mulher, Michele Monique dos Santos, de 27, grávida de 5 meses, conseguiram salvar galões, travesseiros e produtos de limpeza. “Por enquanto, tenho este tapete onde estou sentado. E é onde a gente vai ficar. Ao relento e com as árvores”, afirmou. 
A reintegração de posse foi determinada pelo juiz Leonardo Alves Barroso, da 36.ª Vara Cível. O imóvel, uma propriedade do Clube de Regatas do Flamengo, arrendado pelo grupo EBX, passaria por reformas e seria transformado em hotel. A previsão era de que o empreendimento ficasse pronto até a Olimpíada. Por causa da crise enfrentada pelas empresas de Eike, o prédio foi abandonado. À tarde, com a situação mais calma, a construção foi envolta em arame farpado, para evitar nova tentativa de invasão. Trinta PMs guardavam a área.

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