Relatório aponta sinais de execução nas mortes do Alemão

Ministro defende que policial que saiu da legalidade tem de ser punido

Alexandre Rodrigues, do Estadão

12 Julho 2007 | 17h30

Um relatório divulgado pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), secção Rio de Janeiro, indica que há sinais de execução sumária entre os 19 mortos durante a megaoperação da Força Nacional de Segurança, no Complexo do Alemão. Assinado pelo médico legista e perito judicial Odoroilton Larocca Quinto, o relatórioa aponta que, pelo ângulo das perfurações à bala dos mortos, é possível dizer que alguns dos 19 mortos durante uma megaopperação no Complexo de Favelas do Alemão estavam sentados ou ajoelhados quando foram mortos. Após a divulgação do relatório, o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), reiterou a confiança na ação dos policias que participaram da megaoperação. "A OAB é boa de laudo jurídico. Eu acredito nos laudos da nossa polícia técnica, da polícia técnica da PF. Tenho certeza absoluta de que os nossos policiais agiram com extrema correção e combateram aqueles que deveriam ser combatidos: os que reagiram à nossa polícia", disse o governador, ao lado do ministro da Justiça, Tarso Genro. O relatório independente indica ainda que há muitos ferimentos nos braços, o que pode indicar tentativa de autodefesa. "Vamos continuar na mesma direção, combatendo o crime organizado", afirmou Cabral Filho. Ao contrário do governador, o ministro disse que os relatórios elaborados pela OAB e entidades de direitos humanos devem ser levados em consideração pelas autoridades estaduais. Para ele, instituições como a OAB têm muitos serviços prestados na defesa da legalidade e "têm a obrigação e o dever de acompanhar as operações policiais". Para o ministro, policiais que eventualmente "saíram da legalidade têm que ser duramente punidos." OAB desmente No início da tarde, a OAB-RJ divulgou nota em que desautoriza o presidente da Comissão de Direitos Humanos da entidade, João Tancredo, a atribuir o laudo do perito particular à entidade. A nota diz que a OAB-RJ não contratou perícia particular e que a instituição recebera os laudos do Instituto Médico-Legal do Rio, que não são conclusivos. Por isso, a entidade pretende esperar a apreciação dos documentos pelos peritos ligados à Secretaria Nacional de Direitos Humanos que virão ao Rio na semana que vem.

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