Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Relatório diz que PM fluminense está sucateada

Segundo oficial do Exército, a moral da tropa está atingida: 'desequipada, desmotivada e levada todos os dias ao confronto desigual com o inimigo'

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2018 | 03h00

SÃO PAULO - Na fase de formação de um diagnóstico da situação, o grupo de trabalho que monta a estrutura da intervenção federal no Rio, sob comando do General Walter Braga Netto, está processando “com grande atenção” os dados referentes ao sucateamento da Policia Militar. Um oficial do Exército disse ao Estado nesta quarta-feira, 21, que a crise atinge profundamente o moral da tropa, “desequipada, desmotivada, desencantada e levada todos os dias ao confronto desigual com um inimigo difuso”. 

Para o militar, que atua desde 2017 com a PM do Rio nas atividades de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), apenas “uma profunda reestruturação da instituição poderá alterar esse quadro a médio prazo”. Também não há dinheiro. No orçamento de 2018, a dotação prevista pelo governo do Estado para a PM estacionou em R$ 500 milhões. 

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Os coronéis da Polícia Militar do Rio se aposentam, em média, aos 48 anos da idade e recebem um benefício de R$ 26 mil, equivalente ao soldo básico pago ao pessoal da ativa. A aposentadoria da tropa – policiais e bombeiros – não passa do teto de R$ 8 mil. O resultado prático dessa distorção e das incertezas da carreira diante da crise no setor é que há um significativo êxodo de pessoal. Todos os meses, cerca de 800 pedidos de afastamento de longo prazo são protocolados na PM. 

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A frota de viaturas, estimada em 6,8 mil unidades, está reduzida a pouco mais de 3 mil veículos de todos os tipos rodando em condições precárias, muitas vezes graças a reparos pagos, por exemplo, por comerciantes de áreas de maior risco – interessados em manter as rondas preventivas. Faltam armas, munições e os sistemas de comunicações funcionam precariamente, o que leva ao uso dos telefones pessoais durante as atividades rotineiras. 

A organização dá prioridade no uso do equipamento disponível às operações de grande porte, como as ações do Bope, o batalhão especializado, nas comunidades dominadas pelo crime organizado e bem armado.

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