Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Relatório sobre riscos em ciclovia não cita ondas fortes

Documento alerta para encostas íngremes e tráfego pesado na Avenida Niemeyer e diz que respingo de maré dificulta obras

Constança Rezende e Roberta Pennafor, O Estado de S. Paulo

26 Abril 2016 | 13h30

RIO - Nos relatórios mensais de acompanhamento de construção da Ciclovia Tim Maia, a prefeitura do Rio deixou de considerar as ondas fortes comuns naquele trecho do litoral carioca como risco à obra e aos operários. Uma delas derrubou, há seis dias, um trecho de 50 metros do percurso entre os bairros do Leblon e de São Conrado, na zona sul. Dois homens morreram. 

Os documentos relacionam perigos decorrentes do tráfego pesado na Avenida Niemeyer, via litorânea ao lado da ciclovia, e da inclinação da encosta. Falam até da proximidade com áreas urbanas. Mas não abordam a possibilidade de ressacas. “Em geral, a ciclovia não contempla riscos consideráveis”, apontam os relatórios produzidos pela Secretaria Municipal de Obras e pelo consórcio construtor em abril, maio e junho de 2015. A ciclovia foi inaugurada em janeiro deste ano. O relatório de abril informa apenas que a região “é considerada zona de respingo de maré, o que aumenta o grau de dificuldade de execução das obras”, no capítulo Descrição do Empreendimento.

No relatório de junho de 2015, é dito que “a ciclovia em questão será construída em uma área de escarpas, exigindo cuidados adicionais na sua execução”. “A obra foi dividida em 15 trechos, cada qual com a sua peculiaridade geológica/geotécnica. A montante da avenida são verificadas vertentes côncavas, convexas, escarpas naturais e talvegues (local mais profundo de um vale). Esses fatores tornam a região mais suscetível a deslizamentos de solo e de blocos soltos de rochas, pertencentes às falhas naturais”, diz.

Nos relatórios, a prefeitura relata os avanços no contrato de execução do serviços, por meio de textos, cronogramas, gráficos, quadros, tabelas, planilhas e registros fotográficos. A gestão municipal informou que os documentos são encaminhados ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pelo financiamento da obra.

Improbidade. O Ministério Público do Estado do Rio instaurou inquérito civil para apurar eventuais atos de improbidade administrativa provenientes da contratação, pela Fundação Geo-Rio (vinculada à prefeitura), do consórcio Concremat. A prefeitura proibiu nesta terça o consórcio de participar de licitações de novas obras públicas na cidade “enquanto durarem os trabalhos de apuração das responsabilidades técnicas pelo acidente da Ciclovia da Niemeyer”.

O município informou ainda que todos os pagamentos para o consórcio estão retidos. O decreto do prefeito, que será publicado nesta quarta, ainda determina que os responsáveis técnicos pela obra sejam afastados de qualquer contrato firmado com o município. 

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