FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Renascimento do Museu Nacional a partir das cinzas

Pesquisadores estão usando material do próprio incêndio para reconstruir peças em impressoras 3D 

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2019 | 10h00

RIO - Pesquisadores do Museu Nacional estão usando as cinzas do próprio incêndio para reconstruir com impressoras 3D peças icônicas da coleção. O valor científico do que foi perdido, claro, não pode ser restaurado, mas, do ponto de vista simbólico, é um marco.

O Museu Nacional mantém parceria com o laboratório do Instituto Nacional de Tecnologia desde 2002, por conta de um projeto de digitalização de obras raras da biblioteca.

“Posteriormente, surgiu a ideia de usar a tecnologia 3D na paleontologia, com os fósseis”, explicou o paleontólogo Sérgio Alex Azevedo, do Museu Nacional. “Tínhamos como base a tomografia computadorizada e podíamos, por exemplo, saber como era a cavidade encefálica de um dinossauro, ou o que havia dentro de um sarcófago.”

Desde o incêndio, no entanto, o laboratório tem auxiliado no resgate das peças, identificação e reconstituição. “A gente já fazia modelos em 3D com objetivos científicos, de estudar, por exemplo, o modelo, em vez de usar a peça original”, explicou Azevedo. “Hoje, por exemplo, temos modelos de Luzia, que podem servir como base para restauração do que foi encontrado.”

Mesmo antes do incêndio, o grupo já estudava materiais alternativos para a impressão - o objetivo era economizar, pois os materiais importados eram mais caros.

“Quando vimos toda aquela cinza, aquela enorme quantidade de matéria prima que ia para o lixo, tivemos a ideia de testar como material alternativo para a impressão”, explicou. “Todo mundo achou isso o máximo; e, sentimentalmente, é legal mesmo, é bonito. Quando imprimimos uma Luzia, é um símbolo aliado a outro símbolo.”

 

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