Representante da ONU diz que Cabral nega encontro com ele

Alston evitou críticas, mas acrescentou que estaria "muito aberto" para uma audiência com o governador

Pedro Dantas, Estadão

08 de novembro de 2007 | 14h11

 O relator especial da ONU para Execuções Sumárias, Arbitrárias e Extrajudiciais, Philip Alston, disse nesta quinta-feira, 8, que o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, não vai recebê-lo. "Não há obrigação da parte do governador ou de qualquer autoridade de me receber. Se eles escolheram assim, isto é uma prerrogativa (deles)" considerou o relator.   Alston evitou críticas, mas acrescentou que estaria "muito aberto" para uma audiência com Cabral e revelou que um um encontro foi requisitado ao governo do Rio. O relator se encontrou pela manhã com deputados estaduais em uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio e ouviu mais críticas à política de segurança do atual governo.   "Será o primeiro governador que não se encontra com um relator da ONU que vem ao Rio. Esta é mais uma prova do descaso de Cabral com os direitos humanos. Como se pouco importasse a fiscalização da ONU sobre o tema da segurança pública, que é o principal debate do país. É uma temeridade, um desrespeito ao Estado democrático", disse o deputado estadual Marcelo Freixo, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Alerj.   À tarde, Alston se encontra com o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, com integrantes da cúpula da segurança e com o comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), coronel Pinheiro Neto.   Relatório e relatos   Na quarta-feira, na PUC-RJ, o relator recebeu um dossiê assinado por entidades da sociedade civil que acusa os governos estadual e federal de "gestão violenta sobre as populações das comunidades populares", afirma que a polícia do Rio é a que "mais mata no mundo" e aponta "práticas regulares de tortura". Após percorrer a orla carioca escoltado por batedores, o relator recebeu 15 familiares de diferentes vítimas da violência policial na cidade. Cada entrevista durava cerca de dez minutos."Foi muito pouco tempo. Relatei meu caso e entreguei um resumo. Ele ficou perplexo", revelou Elizabeth Medina Paulino, de 44 anos, que perdeu os filhos Renan, de 13 anos, e Rafael, de 18, executados juntamente com outros dois jovens por PMs que faziam a segurança de uma casa noturna. Alston prometeu aos militantes das entidades civis um relatório crítico e conciso com no máximo 20 recomendações para que a ONU e a sociedade "cobrem medidas efetivas" dos governos.

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