Christophe Simon/AFP
Christophe Simon/AFP

Réu por queda de ciclovia presidirá empresa que gerencia obras no Rio

Nomeado por Crivella, engenheiro Fábio Lessa Rigueira responde por homicídio culposo de duas vítimas do desabamento, em 2016

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

23 Março 2018 | 17h53

RIO - O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), nomeou nesta sexta-feira, 23, para a presidência de uma empresa municipal que gerencia obras públicas o engenheiro civil Fábio Lessa Rigueira, acusado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado do Rio de ser um dos responsáveis pela queda de parte da Ciclovia Tim Maia, em São Conrado, na zona sul da cidade, em abril de 2016. O acidente matou duas pessoas.

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Rigueira é um dos 14 réus no processo por homicídio culposo (sem intenção) que tramita na Justiça do Rio. Em 21 de abril de 2016, um trecho da ciclovia desabou parcialmente, matando o engenheiro Eduardo Marinho Albuquerque, de 54 anos, e o gari comunitário Ronaldo Severino da Silva, de 60.

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A investigação concluiu que a obra tinha falhas desde o projeto, que não levou em conta a incidência de ondas sobre a estrutura, construída sobre o mar, na Avenida Niemeyer. Na época da construção da ciclovia, Rigueira era diretor da GeoRio, órgão responsável pelo projeto básico e pela fiscalização da obra. Em depoimento durante a investigação, Rigueira disse ter recebido o projeto executivo e admitiu que não examinou nem questionou a elaboração do estudo do impacto das ondas sobre a ciclovia.

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A nomeação foi publicada no Diário Oficial desta sexta-feira, conforme divulgou o portal G1. Rigueira assume a presidência da RioUrbe, empresa municipal responsável pelo gerenciamento de obras públicas de infraestrutura e urbanização, reformas, construções, conservação e manutenção preventiva de prédios públicos. A empresa também elabora orçamentos e projetos de arquitetura e realiza licitações, segundo informa o site da RioUrbe. O engenheiro substitui Mauro Alonso Duarte.

Resposta

Em nota, a Prefeitura do Rio afirmou que "o processo que envolve o engenheiro ainda não transitou em julgado" e que "ele tem 34 anos de vida pública, vasto conhecimento da cidade e já atuou nas principais obras de urbanismo, como a implementação dos programas Favela Bairro e Bairro Maravilha".

A reportagem não localizou os advogados que representam Rigueira no processo que ele responde pelas duas mortes em função da queda da ciclovia.

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