Foto: Glaysom Ramos/Divulgação
Foto: Glaysom Ramos/Divulgação

Empresário e colecionador morre no Recife

Além de pinturas, engenheiro tinha em seu instituto acervo com armas brancas de todo o mundo

Leonardo Augusto, Especial para o Estado

25 de abril de 2020 | 10h45

O empresário, engenheiro e colecionador Ricardo Brennand, de 92 anos, morreu ontem, 25, no Recife, depois de ser internado no Real Hospital Português, na capital pernambucana. A pedido da família, o hospital não confirmou a causa da morte de Brennand, mas a prefeitura indicou que ele faleceu em decorrência do novo coronavírus.

O colecionador é fundador do Instituto Ricardo Brennand (IRB), também conhecido como Castelo de Brennand, criado em 2002 no antigo Engenho São João, no bairro da Várzea, no Recife, com área de 77.603 metros quadrados, cercado de Mata Atlântica e que abriga a maior coleção mundial do pintor holandês Frans Post (1612-1680), considerado o primeiro artista a retratar cenários das Américas, além de coleção de armas brancas de vários países. O local, que mantém acervo que reúne arte e história desde a Idade Média até o século 21, estava fechado desde 14 de março por conta da pandemia do novo coronavírus.

Em texto no site do instituto, o empresário explica o início da paixão que o levou a criar o complexo mundialmente famoso no Recife. “Ainda criança, ganhei um canivete do meu pai. O que seria um brinquedo para qualquer menino de minha idade veio a despertar em mim uma vocação de colecionador. Ao longo de minha vida por mais de meio século reuni, de forma apaixonada, os mais diferentes exemplares de armas brancas, produzidos por exímios artesãos, todos ligados diretamente à história do Ocidente e do Oriente.”

Com o passar dos anos, Brennand tomou a grande decisão: “Resolvi repartir a contemplação e a vivência desse acervo com a gente do meu Pernambuco, e para isso foi criado, sem fins lucrativos, em 2001, o Instituto Ricardo Brennand, como um complexo arquitetônico onde se encontram guardados antigos sonhos do menino de ontem que conseguiu reunir esse notável acervo de peças artísticas”.

Ricardo era primo do artista plástico pernambucano Francisco Brennand (1927-2019), conhecido por sua obra em cerâmica e por ter participado, na década de 1970, do Movimento Armorial, junto com o escritor, poeta e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna.

Como empresário, Brennand tinha atuação nos setores de aço, cimento e açúcar. O colecionador deixa mulher, Graça Maria, 8 filhos, 23 netos, 48 bisnetos e 1 tataraneto. Graça, de 90 anos, também teria contraído a covid-19 e estaria se recuperando em sua casa.

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