Fabio Motta/Estadão<br>
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Rio adota ações inéditas de proteção e segurança

Esquema rígido foi usado por profissionais da Fundação Oswaldo Crus no trajeto entre a Base Aérea do Galeão e hospital

Clarissa Thomé, Sergio Torres, Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2014 | 22h26

Medidas inéditas de segurança e proteção contra a possibilidade de disseminação de uma doença fatal em 90% dos casos foram tomadas ao amanhecer de ontem na Base Aérea do Galeão, na Ilha do Governador, zona norte do Rio. Uma das pistas da unidade da Aeronáutica recebeu o jato que trouxe de Cascavel, no Paraná, o guineense Souleymane Bah, de 47 anos.

A aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) pousou no Rio pouco antes das 6h30. O paciente estava desperto e, como os tripulantes, trajava as vestimentas impermeáveis previstas no protocolo de segurança do Ministério da Saúde: macacão, avental, máscara, luvas, botas, gorro e protetor facial.

Do lado de fora do jato, três profissionais de saúde, também protegidos pelos equipamentos especiais, aguardaram por 40 minutos que o paciente fosse retirado em uma maca até a ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), administrado pelo Corpo de Bombeiros.

A ambulância seguiu para a sede da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, também na zona norte, em meio ao trânsito caótico da região pela manhã. O trajeto de cerca de dez quilômetros levou 20 minutos. O veículo ingressou no câmpus da Fiocruz, em direção ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), pela entrada principal da Avenida Brasil.

Fotografias e imagens captadas possivelmente por trabalhadores da Fiocruz – exibidas na internet e por emissoras de TV – mostram o paciente sendo retirado da ambulância, ainda na maca, e levado para a unidade especializada no tratamento de vítimas de moléstias infecciosas, como aids, mal de Chagas, dengue e malária. Em uma das fotos, Bah aparece quase sentado, ao que parece numa tentativa de ajeitar o corpo.

O cidadão da Guiné foi internado em uma área isolada no pavilhão do INI, sem contato com outros pacientes e funcionários que não estejam envolvidos no seu tratamento. Bah está sendo atendido por um médico infectologista que fala francês com fluência, a fim de facilitar a comunicação.

Nas últimas semanas, os infectologistas da Fiocruz passaram por treinamento sobre como agir no atendimento a pessoas contaminadas pelo vírus. Também participaram de palestras com profissionais que estiveram nas áreas epidêmicas, na África Ocidental.

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