Gabinete de Intervenção Federal do Rio de Janeiro
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Rio apura se tráfico faz barreira com brinquedos

Em ação na favela, militares viram ruas fechadas por pula-pulas e camas elásticas

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2018 | 00h32

BRASÍLIA - O Comando da Intervenção na Segurança do Rio apura se traficantes estão usando pula-pulas para atrair crianças e montar barreiras contra invasões, para dificultar operações policiais e militares.

Nesta sexta-feira, 17, houve quatro intervenções no Estado. Elas se somam a outras 110 já realizadas desde o início dos trabalhos das tropas federais no Rio, em fevereiro. Em uma das intervenções, na Comunidade de Antares, na zona oeste carioca, segundo o secretário de Segurança Pública, general Richard Nunes, os militares se depararam com o fechamento de ruas e de quase todas as entradas com camas elásticas e pula-pulas, usados por crianças para brincar.

“Ao ordenar a instalação de pula-pulas, os criminosos passaram a usar crianças como escudos humanos, o que é inadmissível”, afirmou o general. Segundo ele, a operação no local visava a “disciplinar a ocupação daquele terreno, mostrar a presença do Estado, principalmente agora que as eleições se aproximam, para inibir a atitude criminosa e para dar liberdade de ir e vir às pessoas”.

Além da ação em Antares, as polícias e Forças Armadas agiram também no Complexo do Alemão, “para intensificar investigações contra o narcotráfico”; no Complexo do Lins, “para rearticulação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP)”, e na Cidade de Deus, “para intensificação do patrulhamento e dissuasão da criminalidade”. 

Ao citar o problema de Antares, o general Richard comentou que “quando se coloca um pula-pula de criança no meio da rua, é um sinal de desordem pública, de descumprimento de uma norma básica de convivência, que encobre uma ação criminosa”. Para ele, “os criminosos se aproveitam dessa tolerância, dessa permissividade da sociedade, com essa prática, para encobrir sua ação criminosa , colocando crianças como verdadeiros escudos humanos para evitar a aproximação dos agentes da lei, o que não é aceitável”.

Nas ruas

O responsável pela intervenção no Rio, general Walter Braga Netto, por sua vez, reiterou que o trabalho nas ruas do comando conjunto, que incluem as polícias do Rio, além das Forças Armadas está possibilitando a redução da criminalidade no Estado. Segundo ele, as mais de 110 operações cobriram 19 comunidades, patrulhando um total de 90 mil quilômetros. Além disso, foram recuperados mais de 400 veículos e efetuadas 420 prisões, sem contar a remoção de 800 barricadas. “Todos esses resultados contribuíram para a queda dos principais índices de criminalidade, que vêm sistematicamente sendo reduzidos mais fortemente nos últimos três meses”, disse Braga Netto ao Estado. Nas últimas semanas, após críticas, o comando tem buscado dar mais publicidade às estratégias e às ações como as desta sexta-feira, 17.

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