Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Ao vivo: conheça quem será a campeã do carnaval 2018 do Rio

Seis escolas melhores colocadas participarão do desfile das campeãs no próximo sábado; a última será rebaixada

O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2018 | 06h00

RIO - A escola de samba campeã do carnaval do Rio deste ano será conhecida na tarde desta quarta-feira, 14, após cerimônia de leitura das notas dadas pelos jurados às agremiações. Desfilaram neste ano treze escolas de samba na Marquês de Sapucaí pelo grupo especial.

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A cerimônia de apuração das notas começará a partir das 15h30 desta quarta. As escolas de samba são avaliadas em nove quesitos (bateria, samba-enredo, harmonia, evolução, enredo, alegorias e adereços, fantasias, comissão de frente e mestre-sala e porta-bandeira) por quatro jurados em cada um deles. A menor nota em cada quesito será descartada. 

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Em caso de empate ao final da apuração, serão consideradas as maiores notas obtidas no último quesito a ser lido. O sorteio da ordem de leitura dos quesitos será feito nesta quarta-feira, pouco antes do início da apuração. 

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As seis primeiras colocadas voltarão à Marquês de Sapucaí no próximo sábado, 17, para o desfile das campeãs. Já as duas últimas serão rebaixadas para o grupo de acesso do carnaval carioca.

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Veja abaixo como foram os desfiles das escolas de samba do Rio

IMPÉRIO SERRANO

Após oito anos desfilando na segunda divisão do carnaval do Rio, o Império Serrano voltou à elite das escolas de samba cariocas ao abrir a primeira noite de desfiles no sambódromo do Rio. Discorrendo sobre a China, a agremiação tentou compensar a falta de luxo, decorrente da falta de dinheiro, com menções recorrentes à tradição da escola, uma das quatro que dominaram o carnaval do Rio até a segunda metade da década de 1970 - ao lado de Mangueira, Portela e Salgueiro.

Além de cometer erros que criaram buracos entre algumas alas, a Império passou tão rápido que não cumpriu os 65 minutos mínimos de desfile. Encerrou com 63 minutos, o que deve fazê-la perder dois décimos automaticamente. 

SÃO CLEMENTE

A São Clemente provou ser "academicamente popular", como brinca seu melodioso samba, ao lembrar as origens e os 200 anos da Escola Nacional de Belas Artes. O desfile da agremiação, uma das poucas do carnaval do Rio nascida na zona sul da capital fluminense, teve figurinos e carros alegóricos caprichados, com ênfase nas personagens do Rio de Janeiro do século 19 e na vinda da chamada Missão Artística Francesa para cá, em 1816, que levou à fundação do que viria a ser a escola.

VILA ISABEL

Campeã em 1988, 2006 e 2013 e décima colocada no desfile de 2017, a Unidos de Vila Isabel foi a terceira escola a se apresentar durante a primeira noite de desfiles das agremiações do grupo de elite do Rio de Janeiro, 12. Apresentando um enredo sobre as grandes invenções da humanidade, a escola teve duas estrelas: o carnavalesco Paulo Barros, que deixou a Portela após ser campeão em 2017  e reestreou na Vila, e o cantor e compositor Martinho da Vila, que comemorou 80 anos na segunda-feira e desfilou no carro abre-alas da escola.

Os dois foram muito aplaudidos - Martinho no início e Paulo Barros ao final. Como sempre faz, o carnavalesco desfilou depois de toda a escola, comemorando a exibição. Esbanjando luxo, didatismo e alegorias que integravam humanos e equipamentos, a escola se credenciou para voltar no Sábado das Campeãs, quando desfilam as seis melhores - na opinião do júri especializado. O carnavalesco Paulo Barros mais uma vez abusou dos truques tecnológicos nos carros, com alguns bons resultados, como o do rapel na “roda da Vila”. Ao final do desfile, Martinho celebrou: "Nunca me imaginei com 80 anos, mas estou aqui pulando carnaval", disse à TV Globo.

PARAÍSO DO TUIUTI

Alçada ao grupo de elite das escolas de samba do Rio em 2017, após vencer a segunda divisão em 2016, o Paraíso do Tuiuti foi a quarta escola a desfilar na primeira noite de apresentações no Rio de Janeiro, já na madrugada de segunda-feira, 12. A escola discorreu sobre a escravidão no Brasil e defendeu a ideia de que ela ainda não acabou, apenas mudou de forma.

O carnavalesco Jack Vasconcelos partiu dos navios negreiros do século 16 e chegou ao "cativeiro social" dos dias de hoje, marcado por desigualdades sociais e precarização do trabalho. As últimas alas e o último carro alegórico, bastante aplaudidos, faziam críticas à reforma trabalhista.

GRANDE RIO

Na estreia do carnavalesco Renato Lage, campeão cinco vezes na Sapucaí, a Grande Rio divertiu a avenida com uma homenagem ao centenário do apresentador Chacrinha (celebrado em 2017), recorrendo a seu apelo popular mesmo passadas três décadas de sua morte. Mas um problema no sexto e último carro, que empacou na Avenida Presidente Vargas e não entrou no Sambódromo, derrubou a escola. A passagem da agremiação tricolor terminou com desfilantes em prantos. O tempo foi estourado em cinco minutos, o que lhe trará penalidade.

O carro representava o carnaval de Recife, que Abelardo Barbosa brincou quando jovem. Muito largo por conta das ornamentações, ele não conseguiu passar numa agulha de cerca de 10 metros da via para seguir para a Sapucaí.

MANGUEIRA

Em defesa da folia carioca - da qual, aos 90 anos, é símbolo - a Mangueira exaltou em seu enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco” as escolas de samba, blocos de rua e criticou abertamente o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), que apareceu em uma alegoria na figura de um boneco enforcado, como um Judas, junto aos dizeres, extraídos do samba: "Prefeito, pecado é não brincar o carnaval". Foi uma alusão ao apoio que o mundo do carnaval deu ao então candidato em sua campanha de 2014 e ao corte que ele, eleito, fez posteriormente nas verbas para os desfiles.

O carnavalesco Leandro Vieira escolheu tons pouco usados de verde e rosa, mais suaves, e mesclou listras e florais em carros e em alas que representaram blocos tradicionais, como o Bola Preta, o Cacique de Ramos e o Bafo da onça, além de grupos do novo carnaval de rua do Rio, que trazem outros estilos musicais ao samba. O verso do samba “se faltar fantasia, alegria há de sobrar” não se comprovou: a Verde e Rosa estava bem acabada e muito animada, com componentes cantando com vontade as alfinetadas a Crivella. 

MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL

Atual campeã do carnaval, após dividir o título de 2017 com a Portela, a Mocidade foi a sétima e última escola a desfilar na primeira noite de exibições das agremiações de elite no sambódromo do Rio de Janeiro. A escola discorreu sobre a Índia e destacou elementos típicos daquele país que chegaram ao Brasil e se tornaram famosas aqui, como frutas e animais. O desfile criado pelo carnavalesco Alexandre Louzada foi didático, mas menos luxuoso e criativo do que Vila Isabel e Mangueira.

UNIDOS DA TIJUCA 

A segunda noite de desfiles foi aberta pelo tributo da Unidos da Tijuca a Miguel Falabella, em seus talentos múltiplos, no teatro, cinema e televisão, como ator, diretor e  autor. A agremiação deixou para trás "as lágrimas de outrora" cantadas em seu animado samba - uma alusão ao carnaval do ano passado, quando um carro da escola desabou na avenida, ferindo doze pessoas -, com um desfile animado e calcado em referências às peças, novelas, humorísticos e filmes em que Falabella se envolveu em mais de 30 anos de trajetória artística.

PORTELA

O encontro entre a Portela - a mais longeva escola do Grupo Especial (fundada em 1923) e atual campeã (junto com a Mocidade) - e Rosa Magalhães, a mais premiada (tem sete troféus) e mais experiente carnavalesca em atividade, resultou em um desfile impecável, finalizado aos gritos de "bicampeã" vindos das arquibancadas.

O apuro estético, o perfeccionismo e o cuidado com os detalhes da "professora", que tem mais de 40 carnavais no currículo, aliaram-se à garra e tradição da comunidade portelense, que exortou o público a bradar seu refrão: "Lá vem Portela/ é melhor se segurar". O desfile apresentou a história dos judeus residentes na Recife do século 17 que viajaram à América do Norte e ajudaram a fundar a futura Nova York, e rendeu momentos memoráveis. Foi encerrado com uma mensagem de tolerância entre os povos e aceitação de refugiados.

Rosa, ela própria vestida como tal, criou carros alegóricos imponentes e de fácil leitura pela plateia. A começar pelo rico abre-alas, em branco, azul e prata, em que destaques abriam e fechavam os braços num gesto simbolizando a liberdade, com a águia portelense, "a majestade dos céus", pairando acima de todos, única. Os baluartes Monarco e Tia Surica eram as principais figuras do carro.

UNIÃO DA ILHA 

A União da Ilha mergulhou no caldeirão da culinária brasileira, com suas influências europeias, indígenas e africanas. A mistura rendeu um desfile cheio de alegorias de compreensão imediata, como as alas simbolizando o milho, o abacaxi, o caju, peixes, o pão de queijo, o açaí, a feijoada. Foi uma apresentação com o DNA da escola, alegre e colorida.

SALGUEIRO

Sempre uma potência, o Salgueiro tingiu a avenida de vermelho em um desfile emocionante e coeso, fortemente marcado por sua ligação com a herança africana na cultura brasileira. A escola saudou as "senhoras do ventre do mundo", divindades que, segundo as crenças apresentadas, são matriarcas negras que deram origem a toda a humanidade. Passou embalada por um samba que pegou como poucos na Sapucaí e definiu: Salgueiro é sinônimo de negritude.

O carnavalesco Alex de Souza fez bom uso do vermelho e branco salgueirenses, um exemplo disso, o abre-alas, um Éden africano inteiramente rubro e povoado por gestantes negras. O carro estava avariado: as esculturas mais altas, de girafas, quase foram decapitadas pelo viaduto que fica na área de concentração, na Avenida Presidente Vargas, e entraram remendadas. O desfile teve ainda muito dourado e esculturas africanas. Deusas (Ísis, Neith, Hator, Osíris) vieram representadas em alas empolgadas e cheias de brio.

IMPERATRIZ

A Imperatriz cantou os 200 anos do Museu Nacional, cujo prédio, na Quinta da Boa Vista, serviu de moradia à família imperial portuguesa no século 19. Os diferentes setores da instituição, que se dedica à antropologia, à zoologia e à arqueologia foram simbolizados por fantasias e carros alegóricos bem acabados. A Quinta, área de lazer dos cariocas, foi lembrada por seus piqueniques.

BEIJA-FLOR

Completando 70 anos neste 2018, a Beija-Flor, que a cada ano se supera nos quesitos luxo e imponência, fez um desfile atípico. Crítica das mazelas brasileiras, a apresentação em alguns momentos remeteu o público que acompanha carnaval ao histórico "Ratos e urubus, larguem minha fantasia" (1989), do carnavalesco Joãosinho Trinta (1933-2011) - este tratava de luxo, lixo, pobreza e festa e até hoje é um dos mais lembrados da história do sambódromo.

A escola fez um paralelo entre o Frankenstein, de Mary Shelley, personagem que está completando 200 anos, e os "monstros nacionais": a corrupção, as agressões à natureza, o uso indevido de impostos, as disparidades sociais. A teatralização excessiva cansou. O carro da favela tinha traficantes "armados", briga de casal e até uma mãe velando um filho policial morto. A chamada "farra dos guardanapos", episódio do esquema criminoso do ex-governador do Rio Sérgio Cabral  (MDB), foi encenada. 

Componentes  vestidos de pastores evangélicos,  católicos e muçulmanos se juntaram contra a intolerância religiosa. Pabllo Vittar foi destaque no carro anti-LGBTfobia. No geral, a plateia comprou o discurso de indignação da escola de Nilópolis, na Baixada Fluminense, que encerrou sua passagem com a simulação de uma passeata popular, seguida pelo público saído de frisas e camarotes. 

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