Rio de Janeiro blinda prédios para fugir de tiroteios

Empresas gastam cerca de R$ 2 milhões para reformar fachadas

Roberta Pennafort, do Estadão

15 Julho 2007 | 14h14

O medo de balas perdidas no Rio de Janeiro está fazendo as empresas procurarem serviços de blindagem para as fachadas dos prédios. Em geral, são edifícios localizados perto de favelas em que os tiroteios são constantes. O investimento é altíssimo: empresas consultadas pelo Estado estimam que, dependendo do tamanho da área a ser blindada, o custo pode ficar em torno de R$ 2 milhões. Entre as fachadas já protegidas está a da White Martins, no Shopping Nova América, em Del Castilho, na zona norte, ao lado da Linha Amarela e de favelas perigosas. A BR Distribuidora, que está construindo sede na Cidade Nova, área também cercada de morros, vem reforçando a estrutura. Algumas empresas já fizeram orçamentos, mas ainda não bateram o martelo. Afinal, sendo os custos tão altos, a decisão demora mesmo a sair. Uma das que estudam a medida é a GE, que tem fábrica perto do Jacarezinho, na zona norte. O Colégio Pio XII, em Guadalupe, perto da Favela do Muquiço, na zona oeste, também mandou fazer orçamento, mas ainda não se decidiu. A Tivit, braço do Grupo Votorantim, foi uma das pioneiras: blindou parte do prédio, em Vargem Grande, na zona oeste, há três anos. O edifício não fica perto de favelas, mas numa área descampada, o que facilita ações criminosas. Os prédios normalmente têm a fachada de vidro e os caixilhos (estruturas metálicas) blindados. Segundo Christian Conde, presidente da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), os vidros, quando atingidos, se quebram, mas o projétil não passa - com o impacto, a bala se desintegra. Os caixilhos são de aço ou de alumínio com aço. É possível também reforçar a estrutura de alvenaria com chapas de aço. Os blindadores orientam os clientes a optarem pelo grau máximo de proteção, o 3, que suporta tiros de fuzis FAL 762, AR-15 e AK-47. Os materiais são controlados pelo Exército, que cadastra fabricantes e instaladores. "No Rio, se for menos do que isso, não adianta nada, porque o uso de fuzil pelos traficantes é muito comum", adverte Helon Catalani, gerente comercial da EMS Blindagem, que recebeu pedidos de orçamento de dois clientes cariocas (duas empresas privadas) no último mês e também já foi procurado para apressar projetos de blindagem residencial. A demanda no Rio foi tanta que levou a empresa a abrir uma filial carioca. Desejo Já os funcionários da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na Avenida Leopoldo Bulhões, na zona norte, colada à Favela de Manguinhos, bem que gostariam que o mesmo acontecesse por lá. Há anos, seguem apavorados com as freqüentes trocas de tiros, que já deixaram marcas nas paredes. A possibilidade será estudada pela fundação. Na quinta-feira, os servidores fizeram protesto pedindo paz na região e a intermediação da Secretaria Estadual de Segurança Pública. "Aqui não tem hora para ter tiroteio entre polícia e traficante. Já ouvi tiro às 10 horas, ao meio-dia e à noite. A sensação de insegurança dura o dia inteiro", diz Paulo da Costa Ribeiro, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Fiocruz, um dos líderes da manifestação. "As condições de trabalho são insalubres. Essa é a melhor definição." Ribeiro trabalha ali desde 1990. "Desde aquela época, só piorou", diz, lembrando que a direção orienta os funcionários a evitarem ir embora depois das 17 horas. As empresas citadas que recorreram à blindagem foram procuradas pela reportagem do Estado, mas nenhum representante comentou o assunto.   Paulistano teme assalto, e carioca, bala perdida Mercado de proteção cresce 140% em São Paulo

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