Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

'Rio, desistir jamais': Artistas gravam 'We are the world' à carioca

Iniciativa liderada pelo empresário Roberto Medina, do Rock in Rio, quer chamar a atenção para a necessidade de 'se mudar o astral'

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2018 | 17h30

RIO - Anitta, Elba Ramalho, Tony Bellotto, Evandro Mesquita, Fernanda Abreu, Rogério Flausino, Dinho Ouro Preto, Di Ferrero e outros artistas se reuniram nesta terça-feira, 10, para gravar um clipe intitulado Rio, desistir jamais. Espécie de We are the world à carioca, a iniciativa foi do empresário Roberto Medina, criador do Rock in Rio. Ele espera chamar a atenção da sociedade e da classe política para a necessidade de se "mudar o astral" da cidade, impactada pela crise fiscal e de segurança que assola o Estado, e também estimular o turismo.

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O grupo se reuniu na Cidade das Artes, monumental complexo cultural da prefeitura. Entre tantas odes ao Rio, a música escolhida para o clipe, que deverá ser divulgado no fim do mês, foi Valsa de uma cidade, de Antônio Maria e Ismael Netto, composição dos anos 1950 já gravada por Dick Farney, Caetano Veloso e Rita Lee. O refrão "Rio de Janeiro, gosto de você/ Gosto de quem gosta desse céu, esse mar, essa gente feliz" foi cantado em tom de otimismo, e numa levada mais pop do que a da valsa original. 

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"Esse é um protesto do bem. Temos que mudar o espírito. A cidade parece perdedora", criticou Medina.

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No ano passado, o empresário, com apoio inicial do município, Estado e União, capitaneou um movimento em prol do turismo do Rio - em especial o nacional, uma vez que oito em cada dez visitantes vêm de outros Estados. Do trabalho, surgiu o calendário turístico Rio de Janeiro a janeiro, com mais de 90 eventos divulgados. 

"O Rio não tem plano B: ou faz turismo ou não faz nada. Não aguento mais meus amigos dizendo que vão sair do Rio. Seria uma covardia eu sair. Passei dez anos fazendo festival na Europa e não estava feliz", afirmou o empresário. "O Rio é fantástico e não está entre as mais violentas do Brasil. É a luz para fora do País, ninguém olha para São Paulo, lugar nenhum. No ano passado, a Rocinha era metralhada enquanto 100 mil pessoas estavam felizes no Rock in Rio. O Rio não é aquilo, a Rocinha também não é." 

Com camisetas com dizeres como "O Rio pede paz", os artistas fizeram discursos exaltando as belezas naturais, a riqueza cultural e a condição de capital turística brasileira do Rio, e pedindo olhares positivos para a cidade, a despeito das notícias relacionadas à violência urbana e outras mazelas.

"O Brasil está num momento delicado e importante; o Rio, mais ainda", disse Anitta. "Não podemos jogar a toalha. Temos que focar nas qualidades. Esperança é a palavra-chave."

Líder do Capital Inicial, o curitibano Dinho Ouro Preto disse que o "colapso" do Rio "consterna do País". "Os problemas daqui existem em todo o Brasil, pobreza, violência. Mas a cultura brasileira converge para cá, o Rio faz parte de todos nós, então ninguém fica indiferente."

O músico Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, lembrou que é função dos artistas endossar esse tipo de mobilização. "É o mínimo."

Ao fim da gravação, Medina afirmou que a prefeitura não aderiu, como esperado, ao Rio de Janeiro a janeiro. O calendário, cujo primeiro evento foi o réveillon, fora lançado no Rock in Rio, em outubro do ano passado, com a presença de autoridades do governo federal, o governador Luiz Fernando Pezão (MDB) e o prefeito Marcelo Crivella (PRB). 

Segundo o empresário, o prefeito alegou falta de caixa para investir no projeto. "Lamento. Ele não entendeu a dimensão, não teve interesse. Tenho que respeitar. Estamos improvisando", afirmou. "O governo federal está fazendo a parte dele, a Fundação Getúlio Vargas está analisando os projetos (que recebem uma chancela que permite aos proponentes usar recursos incentivados). Com 20% a mais de turistas, são gerados 170 mil empregos. Não existe política pública de turismo no Rio. Esses caras têm que acordar."

A prefeitura informou ao Estado que "mantém seu compromisso de apoiar todos os eventos que fazem parte do calendário" e que "o governo federal é quem responde por ele, por ser o responsável pela certificação dos projetos e seus possíveis desdobramentos".

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