Rio deve pedir à Força Nacional para cobrir área de PMs presos

Policiais militares são acusados de ligação ao tráfico e ganhariam até R$ 3 mil mensais para proteger bandidos

Pedro Dantas, do Estadão,

18 Setembro 2007 | 08h32

O governo do Rio de Janeiro pode recorrer a agentes da Força Nacional de Segurança para patrulhar as áreas de responsabilidade dos 52 policiais militares presos na segunda-feira, 17. A afirmação foi feita pelo secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, após policiais do 15º Batalhão da PM, de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, serem presos por associação ao tráfico, corrupção ativa e passiva e concussão (extorsão praticada por servidor).   No Rio, 52 PMs são presos por corrupção Policiais são acusados de decapitar vítima Esquema funcionava havia 1 ano, diz delegado   A Justiça expediu ao todo 57 mandados de prisão de PMs da ativa e 2 de reformados - quase 10% do efetivo de 617 homens do batalhão. Segundo o titular da 59ª Delegacia de Polícia, de Duque de Caxias, André Drummond, o esquema que ligava os PMs aos traficantes das Favelas de Parada Angélica e Santa Lúcia funcionava havia um ano. Divididos em guarnições, os policiais recebiam "arregos" (pagamentos semanais) de até R$ 3 mil, conforme os serviços que prestavam aos bandidos.   O esquema ligava os policiais a bandidos das Favelas de Parada Angélica e Santa Lúcia, distrito de Imbariê - cinco desses traficantes foram presos na blitz e dois continuam foragidos. "Os policiais prestavam assessoria para o tráfico. Uma parceria intolerável. A resposta penal deve ser severa", disse o procurador-geral de Justiça do Rio, Mafran Vieira.   Segundo o Ministério Público do Rio, os PMs cobravam propina para soltar traficantes presos, alertavam esses bandidos sobre operações policiais e recebiam propina semanal. Tentaram ainda convencer os criminosos a mobilizarem a população contra o comando do batalhão, que, segundo eles, estava sufocando o tráfico na região.   Além de não interferirem na venda de drogas, os policiais garantiam a segurança do tráfico de entorpecentes. "As escutas revelam que eles avisavam os traficantes sobre a presença nas imediações de qualquer equipe policial que não fizesse parte do grupo de corruptos", afirmou o delegado.   Apesar da relação aparentemente harmônica entre policiais e bandidos, as escutas também mostram momentos de tensão. Isso ocorria quando os PMs prendiam traficantes e cobravam dos comparsas pela sua liberação. "As gravações revelam que a liberdade dos bandidos custava entre R$ 5 mil e R$ 8 mil. Eles prenderam e liberaram sob propina 18 pessoas - pelo menos 3 prisões foram injustas", afirmou. "Foi duro não intervir naquele momento, mas precisávamos esperar porque sabíamos que a investigação era mais ampla." A polícia não divulgou trechos das escutas, alegando segredo de Justiça.

Mais conteúdo sobre:
PMs presos PMs ligados ao tráfico

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.