Rio discute parceria com setor privado para Parque do Flamengo

Seminário apresentou paralelo com Central Park; espaço nos EUA já superou problemas como insegurança e degradação há 30 anos

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2014 | 19h03

RIO - Construído para ser “o Central Park brasileiro”, o Parque do Flamengo (zona sul), que faz 50 anos em 2015 como uma das principais áreas de lazer do Rio, ainda tem muito o que aprender com o ícone nova-iorquino, especialmente no que diz respeito à gestão. Nesta terça-feira, 18, no seminário sobre arquitetura e urbanismo Arq.Futuro, foram apresentados os históricos dos dois parques e discutida a possibilidade de se criar, para a administração do carioca, uma parceria com a iniciativa privada.

O Parque do Flamengo tem problemas já superados pelo Central Park há 30 anos: insegurança (são comuns assalto e consumo de drogas), degradação das árvores e gramado, subutilização de espaços e acúmulo de sujeira nos fins de semana, quando a visitação aumenta. Para o presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), Washington Fajardo, uma parceria com a sociedade civil, incluído o setor privado, poderia ser um caminho para vencê-los. 


Mas não seria nada simples, ressalva: “Muitas vezes a gente idealiza a figura do Estado, mas os recursos são finitos. Criar uma parceria é o grande caminho, é uma mudança de pensamento que a gente tem que começar a adotar. Só que se trata de uma área que é da União, do município e da Marinha”. 

Fajardo participou de debate com Elizabeth Barlow Rogers, à frente da Central Park Conservancy, entidade privada sem fins lucrativos responsável por levantar 75% do orçamento anual de US$ 39,5 milhões (R$ 102 milhões) do parque de três mil quilômetros quadrados, aberto em 1858. 

Foi Elizabeth também a chefe do time responsável pela volta por cima do Central Park, ao assumi-lo em 1979. No Arq.Futuro, ela mostrou imagens da deterioração dos anos 1960 e 1970, quando pedras, escadarias e monumentos eram alvo de pichadores e vândalos e grassavam roubos e estupros.

“Foi uma época em que faltaram regras. Criamos a primeira PPP para um parque nos Estados Unidos. Mapeamos os problemas, planejamos e consertamos, para que o parque voltasse a ser limpo, seguro e bonito. Mostramos que a recuperação seria um símbolo para a cidade”, contou Elizabeth, para quem só é possível replicar o caso de sucesso com a participação popular: “No começo, havia o temor de que o parque fosse privatizado, que seria para os ricos. Isso se supera com o envolvimento de todos”.

Hoje, se acumulam doações de pessoas físicas e jurídicas - em 2012, o bilionário John Paulson, morador de um prédio defronte ao parque, lhe deu de presente US$ 100 milhões (R$ 260 milhões). 

Para aprimorar a gestão do Parque do Flamengo, cuidado por 18 órgãos distintos da prefeitura (entre eles, o IRPH) e mantido exclusivamente com dinheiro público, Elizabeth recomendou que todos se sentem à mesa regularmente.

Ana Luisa Da Riva, diretora-executiva do Instituto Semeia - ONG que elabora projetos para melhorar a gestão dos parques brasileiros e é um dos organizadores do Arq.Futuro -, lembra que, por falta de informação, ainda existe preconceito no Brasil com iniciativas que misturem o público e o privado.

“Confundem com privatização. Precisamos de experiências bem-sucedidas para as pessoas entenderem”, disse, citando a Rota das Grutas Peter Lund, em Minas Gerais, cuja administração está passando por processo de licitação. Será a primeira PPP numa Unidade de Conservação no Brasil.

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