NILTON CARDIN
NILTON CARDIN

Rio e Banco Mundial investem R$ 53 mi para ajudar agricultores afetados pela seca

Entre as medidas estão a perfuração de poços para uso coletivo, recuperação de açudes e barragens e nutrição para os rebanhos em risco; perdas totalizaram R$ 100 milhões no 3º trimestre de 2014

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

26 Janeiro 2015 | 17h36

RIO - O governo do Estado do Rio de Janeiro lançou nesta segunda-feira, 26, um plano de contingência com investimentos de R$ 53 milhões para enfrentar os efeitos da estiagem no Norte e Noroeste fluminense. Os recursos - R$ 30 milhões provenientes de um convênio com o Banco Mundial e outros R$ 23 milhões desembolsados pelo Estado -, serão aplicados em ações como a perfuração de poços artesianos para uso coletivo, recuperação de açudes e barragens, além da implementação de sistemas de nutrição para os rebanhos em risco.

"A prioridade na escavação dos poços é o abastecimento para consumo humano, porque em algumas vilas já há escassez de água para uso dos habitantes", ressaltou o secretário estadual de Agricultura do Rio de Janeiro, Christino Áureo. Neste domingo, 25, o nível do reservatório Santa Branca também zerou.

Os municípios do Noroeste fluminense são os mais afetados pela seca no Estado. Entre os mais atingidos estão São Fidélis, Italva, Itaocara, São José de Ubá e Itaperuna. "O núcleo Noroeste é o mais afetado, sem dúvida", confirmou Áureo. "Estamos diante de uma estiagem que nenhum instituto conseguiu prever.

Há um ano, ninguém imaginava uma estiagem desse tamanho. Tudo indica que teremos alívio entre março e maio, mas depois, de junho a outubro, tem tempo seco de novo no Rio de Janeiro", lembrou.

Prejuízo de R$ 100 milhões. As perdas com a estiagem no Estado já totalizaram R$ 100 milhões apenas no terceiro trimestre de 2014, sendo 75% concentradas no Norte e Noroeste. O cálculo estima que 20% desse prejuízo venham da produção de leite, 15% da cana de açúcar e 5% do complexo hortifruti. Além disso, foram perdidos 2 mil animais no rebanho fluminense. No entanto, o secretário afirma que, por enquanto, não há risco de desabastecimento no Estado.

"Boa parte dessas culturas prejudicadas estão sendo supridas por outras regiões que não foram tão afetadas, como a própria região serrana do Rio. As perdas ainda estão suportadas", explicou.

A Secretaria de Agricultura ainda não tem previsão para as perdas com a estiagem nos próximos meses, mas espera que o plano de contingência ajude a diminuir o prejuízo. As ações serão realizadas dentro do Programa Rio Rural, que prevê investimentos de US$ 280 milhões de 2007 a 2018 dentro de um convênio do governo do Estado com o Banco Mundial. Cada uma das partes entra com 50% dos recursos, que são destinados ao apoio e melhoramento da agricultura familiar no Estado, sobretudo no corte hídrico.

Para o plano de contingência, o Estado conseguiu uma antecipação de recursos provenientes do Banco Mundial. "Os produtores já estão organizados, então é mais fácil a implantação dos projetos", disse Áureo. A expectativa é que as ações, que serão executadas durante todo o ano de 2015, beneficiem cerca de 13 mil pequenos produtores prejudicados pela estiagem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.