Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Rio fecha dois lava-jatos suspeitos de ligação clandestina de água

Operação reúne todas as delegacias especializadas; prefeito vai anunciar pacote de medidas para evitar desperdício

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2015 | 19h36


RIO - Com o abastecimento ameaçado pela crise hídrica, o governo do Rio iniciou nesta terça-feira, 3, uma operação de combate a ligações clandestinas de água que reúne todas as delegacias especializadas. Até o fim da tarde desta quarta, apenas dois lava-jatos haviam sido fechados, apesar de a Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae) afirmar que ligações clandestinas e fraudes representam 20% do total de perdas do sistema.

De manhã, técnicos da Cedae e policiais civis flagraram um lava-jato que utilizava água furtada no Cachambi, zona norte da capital. O responsável foi detido. De acordo com a Cedae, o estabelecimento funcionava sem matrícula para captação. Na terça-feira, o alvo foi um lava-jato em Ramos, na zona norte, que funcionava em um posto de gasolina e utilizava ligação clandestina para abastecer uma cisterna de 20 mil litros. O presidente da Cedae, Jorge Briard, disse que as ações conjuntas com a polícia serão realizadas pelo menos até o fim de abril.

“Por determinação do chefe da Polícia Civil, desde terça-feira todas as delegacias especializadas participam das operações”,afirmou. Segundo ele, essas ações fazem parte de uma política permanente, que foi “intensificada para enfrentar a crise hídrica”. Conhecidas como “gatos”, as ligações clandestinas de água são configuradas na lei penal como crime de furto.

O prefeito Eduardo Paes (PMDB) vai anunciar até o fim da semana um pacote de medidas com o objetivo de economizar água. Secretários discutiam nesta quarta quais ações poderão ser tomadas, não apenas em prédios públicos. Estão em estudo medidas como a proibição da lavagem de calçadas, o desligamento de chafarizes e a restrição de licenças para lava-jatos - os que já funcionam podem ser obrigados a reutilizar água.

Procurado pela reportagem, o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, não comentou o relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) que aponta a necessidade de redução da vazão na estação de Santa Cecília, em Barra do Piraí (RJ). O objetivo seria evitar um colapso das reservas do sistema que abastece o Rio antes do fim de agosto, caso a estiagem se mantenha.

Técnicos da secretaria confirmaram que poderá haver um esgotamento dos estoques de reservatórios a partir de agosto se a seca persistir e for mantida a vazão de 140 mil litros por segundo em Santa Cecília. Ali, dois terços das águas do Rio Paraíba do Sul são desviadas para o Rio Guandu, que abastece 9 milhões de pessoas na região metropolitana. Os volumes mortos dos quatro reservatórios do sistema acumulam cerca de 3 trilhões de litros.

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