Rio investiga participação de policiais em morte de motoboy

Morte de Edson Vaz do Nascimento provocou protestos entre moradores; ele não tinha passagem pela polícia

Alberto Komatsu, Agência Estado

20 de julho de 2008 | 20h07

A Secretaria de Segurança Pública do Rio investiga a participação de policiais na morte do motoboy Edson Vaz do Nascimento, que provocou violentos protestos de moradores do Morro Azul em ruas do bairro do Flamengo, zona sul do Rio. A família acusa a polícia de ter atirado pelas costas, enquanto Edson conversava com um amigo. A secretaria, porém, diz que os policiais, que faziam patrulha rotineira no morro, afirmaram de não ter disparado contra o rapaz.   Edson foi enterrado ontem, sob gritos de justiça, no cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul da cidade. Após sua morte, por volta das 21 horas de sábado, uma onda de revolta tomou conta dos moradores da região, que depredaram um banco e atearam fogo em lixeiras e veículos perto do acesso ao morro, na rua Marques de Abrantes. O comércio na região chegou a fechar as portas, temendo prejuízos. "Eu estava em casa. Minha filha me disse pela janela que ele (Edson) tinha caído. Ele me falou que ia descer (o morro) para lanchar e parou para conversar com um amigo. Fui até o local, mas ele já estava morto", contou a esposa de Edson, Alessandra do Nascimento Rodrigues, de 25 anos. Edson, segundo depoimento da família e de amigos, teria sido baleado próximo ao prédio onde mora, numa ladeira que dá acesso ao morro.   Segundo Alessandra, seu marido já havia levado três tiros da polícia há oito anos, que o atingiram no braço e nas pernas. A mãe de Alessandra, Maria das Graças do Nascimento Rodrigues, de 46 anos, afirma que não houve troca de tiros, conforme os quatro policiais militares que estariam participando de uma operação no Morro Azul chegaram a alegar.   A Secretaria de Segurança Pública diz que o caso ainda está sob investigação e, por isso, não é possível confirmar a participação dos policiais que estava no morro. Em depoimento, eles contaram que ouviram um tiro enquanto efetuavam a prisão de um homem que portava drogas. Segundo familiares e amigos que participaram do enterro, eram quatro policiais do 2º Batalhão da Polícia Militar (BPM). "Ele era direito e trabalhador. Não tinha passagem pela polícia. Depois que eles (policiais) mataram, trocaram de roupa", afirma a mãe de Alessandra, Maria das Graças do Nascimento Rodrigues, de 46 anos, que trabalha como camareira num hotel. Dois estariam subindo o morro e outros dois saíram da mata que circunda as proximidades do Morro Azul.   Amigos que pediram para não serem identificados disseram que os policiais queriam levar o corpo de Edson dentro de um camburão, com dinheiro e drogas, com o suposto objetivo de incriminar o motoboy. Ainda segundo moradores que pediram anonimato, os policiais seriam todos carecas e lotados no 2º BPM. Eles fariam parte do chamado Bonde dos Carecas, uma espécie de milícia que atua na região. A 9ª Delegacia da Polícia Civil, responsável pela investigação desse caso, foi procurada, mas a delegada titular que está investigando o caso não estava numa diligência. O enterro contou com a presença de cerca de 200 pessoas, algumas com cartazes de protesto, como "O PAC é pacto de morte. Fora Lula e Cabral. Acorda Rio. Salve o povo"; "Queremos Justiça! Mais um trabalhador morto. Fora Beltrame". Após o enterro, alguns comércios da rua Marquês de Abrantes estavam de alerta, pois moradores do Morro do Azul teriam avisado que haveria nova manifestação.

Tudo o que sabemos sobre:
riomotoboymortepolícia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.