José Luís da Conceição/Estadão
José Luís da Conceição/Estadão

Rio já tem 48 mortes por febre amarela; um em cada quatro municípios tem a doença

Os mortos são cerca de 50% do total de infectados; Secretaria estadual de Saúde convocou um novo dia D da vacinação para este sábado

Roberta Jansen e Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

01 Março 2018 | 11h17
Atualizado 02 Março 2018 | 16h32

RIO - Pelo menos 48 pessoas já morreram de febre amarela no Rio de Janeiro, onde foram registrados, desde o início do ano, 108 casos da doença. A letalidade da epidemia é de praticamente 50%, porcentual considerado alto e que já preocupa as autoridades. A Secretaria Estadual de Saúde convocou um novo dia D da vacinação para este sábado. Até agora, 10 milhões de pessoas já foram vacinadas, mas a meta é imunizar toda a população do Estado (de 14 milhões de pessoas).

“A nossa meta é vacinar todo mundo, exceto os maiores de 60 anos e menores de 9 meses”, explicou o secretário estadual de Saúde, Luiz Antonio de Souza Teixeira. “Nossas cidades são cercadas por matas, por florestas, e a preocupação é justamente não permitir a entrada da doença na região metropolitana.” 

+++ Números da febre amarela em janeiro e fevereiro quase dobram no Brasil

De acordo com o último boletim epidemiológico, 21 municípios já registraram casos da doença. Os mais atingidos são Teresópolis (com 13 casos e seis óbitos), Valença (com 18 casos e 6 óbitos) e Angra dos Reis, onde o número de casos disparou, chegando a 24, com 11 mortes.

“Em Angra, a cidade está praticamente dentro da mata; na Ilha Grande, toda a região é de floresta, não tem área urbana”, explica o secretário. “A gente já tinha a sinalização de que isso poderia acontecer, já tínhamos alertado e estamos convocando a população a se vacinar.”

A letalidade de 50% neste surto preocupa as autoridades. De acordo com a literatura, a letalidade dos casos mais graves de febre amarela pode oscilar entre 25% e 80%. Ou seja, teoricamente o percentual está dentro do previsto. Mas o fato é que, em epidemias anteriores a letalidade foi mais baixa do que a atual, ficando em cerca de 25%.

“A gente está vendo uma letalidade maior este ano, então ampliamos o protocolo, conversamos com cada uma das prefeituras, ampliamos a vigilância, mas essa circulação viral está muito intensa na região Sudeste”, afirmou o secretário. “Por isso a nossa meta de vacinar todo mundo.”

A infectologista Marília Santinni, da Fiocruz, afirmou que este é o procedimento mais adequado nestes casos, embora, diga, ainda seja cedo para cravar as razões da letalidade mais alta.

“Quando alcançamos 95% de cobertura (vacinal), o risco de novos casos é próximo do zero”, explicou.

Expansão. Já há quase um em cada quatro municípios fluminenses com casos da doença – ao todo, são 92 as prefeituras no Rio de Janeiro. 

A Secretaria de Saúde reforça a importância das pessoas que ainda não se vacinaram buscarem um posto de saúde próximo de casa para serem imunizadas. O boletim leva em consideração o Local de Provável Infecção (LPI).

Onze municípios do Estado confirmaram casos de febre amarela em macacos: Niterói, Angra dos Reis (Ilha Grande), Barra Mansa, Valença, Miguel Pereira, Volta Redonda, Duas Barras, Paraty, Engenheiro Paulo de Frontin, Araruama e Seropédica.

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