Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Rio obriga 4 grandes empresas a comprar água de reúso para preservar Rio Guandu

Objetivo do governo é garantir abastecimento de cerca de 9 milhões de pessoas na região metropolitana do Estado

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

29 Janeiro 2015 | 19h45

Atualizada às 20h01

RIO - Um dia após a Agência Nacional de Águas (ANA) ter sinalizado a necessidade de uma redução drástica da vazão para preservar os estoques ameaçados pela seca na bacia do Paraíba do Sul, o governo do Rio anunciou medidas contra grandes indústrias. Depois de uma reunião com representantes de quatro empresas, o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, afirmou nesta quinta-feira, 29, que elas serão obrigadas a comprar água de reúso, deixando de captar no Rio Guandu, que abastece cerca de 9 milhões de pessoas na região metropolitana.

Para que isso ocorra, porém, serão necessárias desapropriações e a construção de uma adutora em um trecho de 14 quilômetros, como mostrou o Estado na sexta-feira, 23. A obra, que ainda não tem custo definido, dificilmente ficaria pronta antes de seis meses, segundo técnicos. "Nossa prioridade é garantir o abastecimento humano. Poderemos, sim, em um ato extremo, cassar outorgas para captação de água, mas acredito que isso não será necessário", afirmou Corrêa. Segundo ele, haverá outra reunião nesta sexta-feira, 30, para calcular o valor da obra. Representantes das empresas não deram entrevista após o encontro.


As quatro indústrias - Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), Gerdau, Furnas e Fábrica Carioca de Catalisadores (FCC) - ficam na ponta do sistema de abastecimento, em Santa Cruz, zona oeste da capital. Juntas, comprometem cerca de 15% da vazão do Guandu. Elas captam apenas uma parcela (cerca de mil litros por segundo) dessa quantidade, mas a Companhia  Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) precisa levar para o canal de São Francisco um volume bem maior, com o objetivo de “empurrar” a água salgada da baía de Sepetiba que entra no canal.

Na reunião desta quarta-feira com a presidente Dilma Rousseff e o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), em Brasília, técnicos da ANA sugeriram reduzir a vazão na elevatória de Santa Cecília, onde ocorre a transposição do Paraíba do Sul para o Guandu, dos atuais 140 mil litros por segundo para 110 mil, revelou Corrêa. Ele já espera uma redução, mas afirma que a vazão de 110 seria “extremamente limitante, tornando praticamente inviável a gestão”. “Se for reduzida assim, não temos como garantir o fornecimento para as empresas.”

Sem racionamento. O governo do Rio continua negando a necessidade de racionamento. Técnicos ouvidos pelo Estado avaliam que se não chover o suficiente para encher os reservatórios e for mantida a atual vazão, os 2,95 trilhões de litros acumulados nas reservas técnicas das represas que abastecem o Rio só duram até outubro. Dos quatro reservatórios, dois já atingiram o volume morto e os outros dois apresentam níveis próximos de zero (1,72% e 3,92%).

A decisão sobre a vazão deverá tomada na próxima quinta-feira em reunião com representantes da ANA, do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica e dos órgãos gestores de Rio, São Paulo e Minas Gerais. Além da ação contra as empresas de Santa Cruz, Corrêa se comprometeu a enviar em 15 dias para a Assembleia Legislativa um projeto de lei que cria uma “política permanente de reúso de água no Estado”. Segundo ele, também está prevista reunião com representantes da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), da Petrobrás, que consome cerca de 2 mil litros por segundo - a empresa terá que aproveitar a água que resulta do processo de tratamento de esgoto na Estação de Alegria, no Caju, zona norte.

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