WILTON JUNIOR/ESTADÃO
WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Rio quer reativar estação ‘fantasma’

Plataformas do metrô abandonadas há 34 anos na Carioca, na região central da cidade, ressurgem em plano de expansão

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2015 | 03h00

A maioria dos 147 mil passageiros que circulam diariamente pela Estação Carioca do metrô, no centro do Rio, certamente nem imagina, mas 40 metros abaixo da calçada existem mais três plataformas, praticamente prontas e abandonadas há 34 anos, pouco antes da conclusão. Algumas paredes chegaram a receber acabamento de pastilhas, escadas foram instaladas e o material abandonado pelos operários está lá até hoje.

A estrutura foi construída porque, na década de 1970, o governo do Estado do Rio planejava usar a Estação Carioca como cruzamento entre as linhas 1 e 2. As cinco primeiras estações, todas da Linha 1, entraram em operação em março de 1979. Em janeiro de 1981, foi inaugurada a Carioca. À época, ainda não havia a Linha 2, inaugurada só em novembro daquele ano. Por isso a parte da Estação Carioca que serviria a esse trajeto - entre o centro e a zona norte - permaneceu fechada. Sem dinheiro, meses depois o governo mudou a rota da Linha 2 e abandonou parte da Carioca.

Hoje, a Linha 1 vai da Estação Uruguai, na Tijuca (zona norte), até a General Osório, em Ipanema (zona sul), passando pela Carioca. A Linha 2, que no plano inicial ligaria a Pavuna (zona norte) à Praça 15 (região central), usa trilhos próprios até a Estação Central, onde há integração com os trens metropolitanos da Supervia. Desde 2009, a Linha 2 foi estendida até a Estação Botafogo (zona sul). No trecho entre a Central e Botafogo as duas linhas usam os mesmos trilhos. Com superposição, o intervalo entre os trens é de 4 minutos - estima-se que, sem o compartilhamento dos trilhos, esse tempo poderia ser reduzido à metade.

Nesta quarta-feira, 18, a Secretaria Estadual de Transportes anunciou a intenção de finalmente concluir a Estação Carioca e estender a linha que começa na Pavuna até a Praça 15. Para tanto, será preciso construir mais três estações: Catumbi (zona norte), Cruz Vermelha (Lapa, área central) e Praça 15. Segundo o plano, dois tipos de trens partiriam da Estação Pavuna: um faria o trajeto atual até Botafogo e outro iria até a Praça 15, onde fica a estação das barcas de passageiros para o município de Niterói. Nessa opção, os trens não chegariam à Central - iriam da Pavuna à Estação Cidade Nova e dali continuariam por Estácio, Catumbi, Cruz Vermelha, Carioca e Praça 15.

A concessionária MetrôRio, que opera o sistema, encomendou um projeto de engenharia, que vai custar R$ 25 milhões e analisará a viabilidade da ampliação do metrô. Só quando ele ficar pronto, em agosto de 2016, será possível avaliar o custo da construção das novas estações.

Para a advogada Cyntia Fonseca, a possibilidade de estender o metrô até a Praça15 beneficiará os 110 mil moradores de Niterói que trabalham no Rio e atravessam diariamente a Baía de Guanabara. “Sempre considerei um absurdo o metrô não passar na estação das barcas, não passar na Rodoviária Novo Rio (São Cristóvão) e não passar nos aeroportos”, disse. A advogada reclama que os niteroienses, para chegar ao metrô, precisam andar cerca de 1 quilômetro até a Estação Carioca, em trajeto considerado perigoso. “A segurança é outra questão importante.”

Extensão. As novas estações ampliariam o sistema em 3,7 quilômetros. A extensão atual é de 42 quilômetros, com 36 estações, e há outros 16 quilômetros que devem ser entregues no primeiro semestre de 2016. Esse trecho, chamado de Linha 4, terá cinco novas estações ligando a Barra da Tijuca, na zona oeste, à Estação General Osório, permitindo ao usuário seguir dali para o centro ou a zona norte. / COLABOROU SÉRGIO TORRES

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