Rio remaneja 400 detentos entre cadeias de Bangu

Objetivo é evitar confrontos entre as facções e milícias dentro do presídio e acalmar os detentos

Constança Rezende, O Estado de S. Paulo

12 Janeiro 2017 | 22h24

RIO - A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio (Seap) já remanejou cerca de 400 detentos entre as cadeias do Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste, nesta semana. O objetivo é evitar confrontos entre as facções e milícias dentro do presídio e acalmar os detentos.

As transferências começaram no último dia 9. A principal mudança foi feita na penitenciária Lemos Britto, o Bangu 6. O local abrigava traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP), milicianos e ex- policiais militares, que ficavam em alas diferentes. Com a mudança, apenas os traficantes do TCP ficarão no local.

Segundo funcionários do sistema penitenciário ouvidos pelo Estado, os próprios presos do TCP pediram a medida e foram atendidos pela Seap. Os presos do local estariam com "ânimos exaltados", e o clima estaria tenso.

Para isso, o presídio Bandeira Stampa, Bangu 9, precisou ser esvaziado, para receber milicianos e os ex-PMs que foram transferidos para lá. Alguns policiais ainda não aceitaram fazer a mudança, pois temem ficar junto com milicianos. A Seap tem conversado com esses presos para convencê-los da mudança.

Os chamados "presos comuns", que estavam em Bangu 9, foram transferidos para as cadeias Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, zona norte, e Japeri, na Baixada Fluminense. Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penal do Rio de Janeiro, Gutemberg de Oliveira, a mudança foi positiva para evitar confrontos como os de Manaus e Roraima.

"Foi uma decisão acertada da Seap para evitar qualquer rebelião, disputa ou briga. A administração optou por bem deixar o Lemos Britto com o Terceiro Comando. Assim, se acontecer algum problema, fica mais difícil de conter. A questão da facção é uma realidade do Rio e do Brasil e no Brasil. Só que aqui o risco de dano na integridade é grande", disse Gutemberg.

Atualmente, há 50.555 presos no complexo, que comporta apenas 27.242 detentos. Deste número, 23.313 são presos provisórios, de acordo com números da Seap. Também há presos das facções Comando Vermelho (CV) e do Amigos dos Amigos (ADA). Eles ficam em presídios diferentes dentro do complexo.

Questionada sobre as transferências, a Seap respondeu que "as informações não são divulgadas por medidas de segurança".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.