FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Rio tem 14 vítimas de bala perdida em 10 dias

Doze casos aconteceram na capital, um na cidade de Niterói e outro em São Gonçalo; 4 pessoas morreram, entre elas duas crianças

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

26 Janeiro 2015 | 18h48

Atualizada às 22h30

Pelo menos 14 pessoas foram feridas por balas perdidas na região metropolitana do Rio de Janeiro desde o último dia 17. Doze casos aconteceram na capital, um na cidade de Niterói e outro no município de São Gonçalo. Quatro pessoas morreram, entre elas duas crianças de 4 e 9 anos.

Nesses dez dias, nenhuma autoria dos disparos foi identificada até agora pela Polícia Civil. Ao menos dois episódios ocorreram perto de locais onde havia tiroteio entre policiais e criminosos. Nos demais, os disparos sem direção provavelmente foram feitos por criminosos, que têm disputado a tiros o controle dos pontos de venda de drogas em favelas. Confira quem são as vítimas.

“Essas balas perdidas foram, na maioria das vezes, provocadas por traficantes. Não foi em confronto com a polícia, com exceção desse caso agora da Rocinha (favela na zona sul carioca). Isso é da natureza dessa verdadeira nação de criminosos que se criou no Rio de Janeiro. Digo uma nação porque são pessoas que têm uma ideologia de facção, pessoas que têm um desapego e uma irresponsabilidade total pela vida humana”, afirmou o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, em entrevista à emissora Globonews.

O caso a que o secretário se referiu ocorreu na noite deste sábado, quando Adriene Solan do Nascimento, de 21 anos, morreu baleada na Rocinha durante tiroteio entre traficantes e policiais. Desde então, entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira, 26, houve mais dois casos: Lilian Leal de Moraes, de 12 anos, foi atingida em casa no Morro do Chapadão, em Costa Barros (zona norte), e Sandra Costa dos Santos, de 58 anos, feriu-se na cabeça enquanto dormia em casa em Bangu.

“Eles (os criminosos) fazem uso dessas armas causando morte de pessoas inocentes que estão fora do império, do reduto (deles). O que nós estamos fazendo é entrando nesses impérios e acabando com isso. É (isso) que as UPPs têm feito. Sabemos da situação do Chapadão, Juramento, Costa Barros, Santa Cruz, Baixada Fluminense (regiões na periferia ainda sem UPPs e que são palco de ações criminosas frequentes), mas não podemos fazer ocupação sem poder sustentá-las. O que podemos fazer e estamos fazendo são operações policiais”, acrescentou o secretário. Estão previstas pelo Estado UPPs no Chapadão e no Juramento até o fim do ano, mas não foi divulgado exatamente quando serão instaladas.

A polícia sabe que há disputa entre as facções Comando Vermelho (CV) e Amigo dos Amigos (ADA) pelo controle do tráfico em áreas das zonas norte e oeste. Beltrame disse que, apesar da sequência de casos de violência, a polícia está atuante e, desde 7 de novembro, já prendeu 4.410 pessoas e apreendeu 568 pistolas. Ele cobrou ação do governo federal, responsável pelas fronteiras, na tentativa de evitar a entrada de armas no País.

Para o antropólogo Paulo Storani, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar (PM), a disputa entre facções é comum e constante, e a única forma eficaz de combater o crime é policiar as fronteiras e evitar a entrada de armas e drogas.

“A Polícia Federal se preocupa mais com o tráfico de cigarros do que com o de drogas ou armas, talvez porque cigarro tenha um imposto alto. Pode-se combater o crime no Rio, mas ele é alimentado pelas drogas e armas que entram ilegalmente pelas fronteiras. É lá que isso precisa ser combatido. Não adianta apreender armas e drogas no Rio se esses produtos continuam entrando (no País), porque assim o crime vai continuar”, alertou.

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