José Lucena/Futura Press
José Lucena/Futura Press

Rocinha amanhece sem luz e com tiroteio neste sábado; confronto deixa oito mortos

Houve troca de tiros em dois pontos distintos da comunidade; na quarta-feira, um soldado morreu na região

Denise Luna e Igor Ferraz, O Estado de S. Paulo

24 Março 2018 | 10h13
Atualizado 26 Março 2018 | 16h48

RIO - A Delegacia de Homicídios da Capital (DH), órgão ligado à Polícia Civil do Rio de Janeiro, está investigando as mortes de oito pessoas após confronto entre policiais do Batalhão de Choque (BPChq) e traficantes na manhã deste sábado, 24, na Comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio.

De acordo com informações preliminares, no período da manhã, seis pessoas baleadas foram socorridas e levadas para o Hospital Miguel Couto, mas não resistiram e faleceram. Já no início desta tarde, outros dois corpos foram transportados por moradores até a passarela que liga a favela à Vila Olímpica da Rocinha, onde ficaram até a chegada da perícia. 

Os policiais militares estão sendo ouvidos na DH. As armas dos policiais militares envolvidos no tiroteio serão apreendidas.

Mais cedo, a Polícia Militar havia informado a morte de sete bandidos após confronto em uma região da favela conhecida como “Roupa Suja”, além da apreensão de um fuzil, sete pistolas e duas granadas. De acordo com a PM, a equipe do Batalhão de Choque foi atacada no início da manhã, durante um patrulhamento de rotina na Rocinha, favela ocupada permanentemente desde setembro de 2017. O Grupamento Aeromóvel (GAM) realiza monitoramento aéreo na região e o cerco está reforçado”, informou a assessoria.

Moradores da comunidade, no entanto, postaram em redes sociais que desde o início da manhã a PM estaria procurando o assassino do policial Filipe Santos de Mesquita, da UPP Rocinha,  assassinado na última quarta-feira, 21. Um forte tiroteio tomou conta da região e o Centro de Operações Rio sugeriu que motoristas utilizassem rotas alternativas às vias próximas à Rocinha. Moradores relataram falta de luz em alguns pontos da comunidade

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Moradores. Nas redes sociais, moradores lamentavam mais uma dia de violência na favela: “Infelizmente o dia começa 'normal'", disse conformado um morador em uma rede social. “Que nenhum inocente seja morto, porque só por Deus mesmo, sábado às 6 horas da manhã acordar desse jeito”, lamentou outra moradora em uma das páginas da comunidade.  “Estava vindo do trabalho agora tive que me jogar no chão da van junto com motorista passageiros na rua os policiais dando tiro, sensação ruim meu deus”, informou outra.

Alguns comentários citavam a morte de um soldado na região, no dia 21 de março, que, segundo alguns moradores, teria sido o motivo da incursão dos PMs neste sábado, em busca dos responsáveis pelo assassinato. A PM porém não confirmou a informação. “Agora vai ser banho de sangue, dentro da favela mataram o policial, agora os policiais estão pesados, triste só porque quem paga mesmo são os moradores”, desabafou um dos moradores.

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Outra moradora revela que está sem trabalhar desde quinta-feira por conta dos tiroteios: "A situação está muito tensa desde quinta. As crianças, sem aula. Todo mundo preso dentro de casa. Muito tiro, muito. O dia está lindo lá fora. Meus filhos querem ir à praia, mas como vou deixar? Ninguém pode sair para canto nenhum. Sair para trabalhar não dá também, tem patrão que entende, mas não é todo mundo. Tem muita polícia na rua, mas isso não garante nada”, reclama a mulher, que tem 36 anos e três filhos menores de idade.

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