Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Rocinha tem tiroteio e rotina de medo se mantém

Após saída das Forças Armadas da comunidade, moradores relataram ter ouvido tiros no domingo e na madrugada desta segunda; Rogério 157 continua sendo procurado

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 09h40
Atualizado 03 Outubro 2017 | 00h08

RIO - Sem a presença das Forças Armadas desde a última sexta-feira, 29, a Rocinha permanece em clima de tensão, embora a polícia siga reforçando o patrulhamento e escolas e serviços estejam funcionando. Tiros foram ouvidos por moradores da favela no fim de semana e na madrugada de ontem. O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) disse que a hora do líder do tráfico local, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, que está sendo procurado pela polícia em várias comunidades, “vai chegar”.

"A gente já prendeu tantos chefes do tráfico. A hora dele vai chegar, não tenha dúvida que a Polícia Militar e a Polícia Civil, com a inteligência da Polícia Federal, mais cedo ou mais tarde, vai prendê-lo”, afirmou o governador. Ele voltou a dizer que a ajuda dos militares “tinha limites”. “Eu quero sempre mais (permanência das forças). Mas eles têm seus limites, seu orçamento. Eles também não podem fizer fazendo o trabalho de policiamento da polícia”. 

A polícia encontrou ontem pichações em muros do morro com as inscrições “CV 157”, o que, para a corporação, confirma que Rogério 157 trocou de facção criminosa – saiu da Amigo dos Amigos (Ada), que tradicionalmente controlava a Rocinha, e foi para o Comando Vermelho, a facção mais antiga e com maior penetração em comunidades do Rio.

A hipótese vem sendo investigada desde a semana passada. Seria uma manobra de Rogério para se manter no controle do lucrativo comércio de drogas na favela, desestabilizado com a invasão da Rocinha, no último dia 17, pelo bando de Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem (Ada). Ex-“chefe” de Rogério, Nem mandou que comparsas lhe tirassem à bala do topo da quadrilha.

O acordo de Rogério com o CV teria sido “costurado” dentro do sistema penitenciário por cabeças da facção, e Rogério já estaria contando com o apoio da facção para se esconder da polícia e dos rivais. Se for verídico, será mais um ingrediente no violento confronto entre as quadrilhas, que aterroriza os moradores da Rocinha.

Ontem, foram apreendidos munições de fuzil, uma grana e uma emulsão explosiva na favela. Quinhentos PMs estão substituindo os militares da Forças Armadas que foram embora na sexta-feira, segundo a Secretaria de Segurança. “A situação continua tensa para nós. Com a saída das Forças Armadas, ninguém sabe o que vai acontecer, não conseguimos relaxar”, desabafou uma moradora, que prefere não ter a identidade publicada.

O principal motivo do medo da população é o fato de Rogerio ainda estar solto. Ele vem sendo procurado na Rocinha e em outras comunidades com ligação com a favela pela mata por quase duas semanas. “O outro ainda quer invadir, e Rogério não vai deixar barato. Nossa sorte é que eles nos avisam antes do confronto”, disse uma moradora. 

Para as forças de segurança estadual e federal, a situação já foi “estabilizada”. O secretário de Segurança, Roberto Sá, quando esteve no morro, na sexta-feira, afirmou que a polícia fará “seu máximo” para proteger a população, mesmo diante da possibilidade de novos conflitos armados entre traficantes rivais. 

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