Roubados no Rio, argentinos ficam sem dinheiro e sem chave de carro para voltar

'Apesar de tudo, a cidade é linda, então vamos aproveitar', afirma Agustin Acosta, de 22, que veio para o Brasil com três amigos

Thaise Constâncio, O Estado de S. Paulo

16 de julho de 2014 | 14h14

RIO - Quando chegou ao Rio, no último sábado, 12, para acompanhar a final da Copa do Mundo no Maracanã entre Argentina e Alemanha, no domingo, 13, Matias Costa, de 23 anos, não achou que teria tantos problemas. Na segunda-feira, 14, ele e mais três amigos foram conhecer a Praia de Copacabana, na zona sul, e tiveram os pertences roubados: dólares, reais, pesos argentinos, documentos e a chave do carro. Era meio-dia.

Os argentinos viajaram por dois dias, de Corrientes, no norte da Argentina, até o Rio de Janeiro, para ver Messi e companhia e tinham dinheiro suficiente para ficar na cidade até sábado, 19, e conhecer os pontos turísticos. A hospedagem era gratuita até as 11h desta quarta-feira, 16, quando terminou o prazo da Secretaria Municipal de Turismo (Riotur) para que os visitantes da Copa deixassem o Sambódromo, no centro, onde eles estavam abrigados.

Com pouco dinheiro em mãos, sem chave e sem documentos após o furto, eles buscaram o Consulado Argentino para avisar que haviam perdido as identidades e conseguir documentação provisória. 

Já com a chave não seria tão fácil. Por ser codificada não havia como fazer uma cópia simples. Sem solução, eles tiveram que telefonar para o pai de Costa, na Argentina, contar o que aconteceu e pedir que ele enviasse a chave do carro para que o grupo pudesse voltar para casa. O "salvador" da viagem, embarcou em um avião na manhã desta quarta e chega à noite no Rio.

Mas o carro - e os ocupantes - não poderiam permanecer por mais tempo no espaço público (que foi usado como solução temporária para abrigar milhares de argentinos que chegaram à cidade para a final). prefeitura propôs rebocar o veículo e levá-lo para um depósito municipal onde ficaria até que os donos pudessem resgatá-los.

Não haveria problema se os meninos não tivessem que pagar, em dinheiro, R$ 148,53 para o reboque e mais R$ 70,36 pela diária do carro no depósito, segundo tabela da secretaria especial de Ordem Pública (Seop), além da hospedagem deles em um albergue.

Depois de compartilharem a história com outros turistas que estavam no Sambódromo, conheceram um empresário carioca, dono de uma empresa de reboque e de um depósito de carros, que concordou em levar o carro por um preço bem mais baixo (eles não disseram quanto). "Poderemos ficar lá, perto do carro e de nossas coisas até que meu pai chegue com as chaves", explicou Costa.

Como estão no Rio, os rapazes aproveitarão os últimos dias para conhecer a cidade. "Apesar de tudo que nos aconteceu, a cidade é linda, então vamos aproveitar", garantiu Agustin Acosta, de 22, um dos passageiros.

"Quem sabe conseguimos ficar até sexta, desta vez com dinheiro", disse esperançoso Alejandro Unger, de 24.

Furtos. De acordo com o Consulado Argentino, com base em informações do Instituto de Segurança Pública (ISP), pelo menos 600 hermanos foram furtados no Rio durante a Copa. 

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