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Roubo de carro no Estado do Rio sobe 50% e encarece seguros

Preço médio teve alta de 20% e corretoras já avaliam se negócio compensa; especialista sugere combate a desmanche

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2017 | 03h00

RIO - Os roubos de automóveis no Rio cresceram 50,1% em abril, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Foi um salto de 3.259 para 4.891 ocorrências. No confronto do primeiro quadrimestre com o de 2016, o crescimento foi de 13.065 para 18.389 casos, mais 40,75%. Com isso, o preço médio dos seguros para quem mora no Estado subiu 20%. E algumas corretoras avaliam se o negócio, em território fluminense, ainda compensa.

Professor da Escola Nacional de Seguros, Lauro Faria acrescenta que o índice de sinistralidade – razão das indenizações pagas pelas seguradoras em relação às mensalidades pagas – aumentou cerca de 70% no último ano. Isso torna o seguro de veículos um negócio menos vantajoso no Rio. 

O crescimento dos crimes, com violência ou ameaça, foi generalizado, sobretudo na região metropolitana. Mesmo a zona sul da capital, que historicamente apresenta um porcentual baixo de roubo de veículos, teve crescimento de 45,77% no primeiro trimestre. Também houve aumento nos roubos de veículos nas zonas norte e oeste, com 18% e 20%. Os números são da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Um bairro da capital que se destacou negativamente nessas estatísticas foi a Ilha do Governador. Já as regiões norte e noroeste fluminense registraram leve queda de ocorrências. A FenSeg destaca que o horário com maior registro de ocorrências de roubo (e furto) de veículos foi entre 18 e 24 horas. Nessa faixa, concentraram-se 47% das ocorrências. Os modelos mais visados pelos ladrões são os populares ou que já saíram de linha. São veículos cujas peças são mais fáceis de vender. 

Preço. O diretor executivo da FenSeg, Julio Rosa, afirma que o aumento no roubo de veículos atinge diretamente o preço do seguro. Para formulá-lo, as seguradoras consideram, além dos fatores individuais de risco do cliente, questões relacionadas à região de circulação do veículo, como os índices de roubo ou furto de veículos. “Hoje não há ninguém em nosso círculo familiar ou de amizade que não tenha sido alvo de um meliante”, diz Rosa.

A FenSeg vai iniciar, em alguns dias, uma campanha para ajudar os motoristas a evitar os ataques dos criminosos no Estado. A entidade listou oito “mandamentos” em um folheto que será distribuído em semáforos e estacionamentos.

Lauro Faria defende que a correta aplicação da Lei do Desmonte, que regulamenta os chamados ferros-velhos, poderia ajudar na redução dos índices de roubos. A norma determina que os Detrans controlem o comércio de autopeças e gerenciem o credenciamento de empresas habilitadas. “Obviamente, o ladrão não vai querer vender com nota fiscal. A correta fiscalização da aplicação da lei, com a ação da polícia, vai diminuir esse mercado clandestino.”

O titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis, Alessandro Petralanda, não quis falar com o Estado sobre o assunto. Por nota, a Polícia Civil afirmou que “está investigando esses casos e vem concentrando esforços com todos os órgãos de segurança para reprimir essa modalidade criminosa e prender os autores dos delitos e as respectivas quadrilhas”.

Criminosos levam veículos com crianças dentro

O ator e produtor Fábio Matheus estava em seu Jac J3, parado ao lado da Estação Pavuna, no dia 3 de maio, às 20 horas. Esperava a namorada, que chegaria de Metrô, para irem ao aniversário de um primo dele. Antes que ela chegasse, porém, apareceu um rapaz de no máximo 18 anos. Ele encostou uma arma na cabeça do motorista e tomou o veículo. Com o assaltante estavam dois adolescentes. O trio fugiu, levando o automóvel – e o bolo do aniversário.

“Fui assaltado em um local iluminado, movimentado. Na delegacia, contaram que roubam de oito a 12 casos veículos por dia no bairro. Fico pensando onde é feito todo esse desmanche”, conta Matheus.

Um dia depois, Paulo de Oliveira, motorista de van escolar, parou o veículo – comprado uma semana antes – para que sua mulher deixasse uma criança em uma creche em Itacoatiara, Niterói. Dois adolescentes, de 14 e 15 anos, estavam no veículo. Ela ainda não voltara quando dois homens, com uniformes em nome de uma empresa, o dominaram. “Eles ligaram um bloqueador de rastreador e plugaram no carro. Só foram nos liberar 15 minutos depois. Eu só temia pelas nossas vidas.” 

Para Kate da Silva, a agonia durou mais. Em 16 de maio, em seu Hyundai Tucson, ela saía do estacionamento do Hospital Pedro II, em Santa Cruz, na zona oeste, com o filho Enzo, de 4 anos, na cadeirinha do banco traseiro. Dois homens armados a dominaram. Kate tentou retirar o menino, mas os homens o levaram.

Por duas horas, Enzo e o carro sumiram. Acionados, PMs localizaram o veículo com os assaltantes e o perseguiram por 25 quilômetros. Os criminosos abandonaram o veículo com o menino em Bangu e fugiram. 

No dia 20, caso semelhante começou na Rua Laudelina, em Nova Iguaçu, com uma menina de 3 anos. E teve o mesmo fim. Em 2007, porém, o roubo de carro com uma criança terminou na morte do menino João Hélio, arrastado por criminosos. O caso consternou a cidade.

Preste atenção - A cartilha das seguradoras

 1. Ao chegar ou ao sair da garagem, veja se há algum estranho por perto ou se há objetos no caminho. Caso não sinta segurança, aguarde.

2. Após as 22 horas, tenha cuidado ao parar nos semáforos. Fique atento ao movimento das ruas. Nunca coloque bolsas, celulares ou objetos de valor sobre o banco do carona – guarde tudo embaixo do banco.

3. Independentemente do local e horário, nunca fique dentro do carro parado com o motor ligado (enviando mensagens de celular, por exemplo). E nunca fique esperando pessoas dentro do veículo.

4. Cuidado em estacionamentos de shoppings e mercados. Ao sair, verifique o travamento das portas.

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