Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Salgueiro empolga com desfile luxuoso

Escola atravessou a avenida no limite de 1h15

Fábio Grellet e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2019 | 04h08

Quarta escola de samba a desfilar na primeira noite de exibições no sambódromo do Rio de Janeiro, o Salgueiro exaltou Xangô, divindade cultuada pelas religiões de matriz africana trazidas ao Brasil pelos escravos, como o candomblé. Foi o primeiro desfile da escola do Andaraí (zona norte do Rio) sob a atual direção – uma disputa judicial que se estendeu de maio a dezembro determinou a saída de Regina Celi e deu o comando do Salgueiro a André Vaz, candidato de oposição. 

+ Acompanhe desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro 

A demora na decisão parece não ter prejudicado a escola, que fez um desfile muito luxuoso e empolgante – só comparável, até então, à apresentação da Viradouro de Paulo Barros -, embalado por um samba que, embora difícil de cantar por conter várias expressões africanas, foi muito bem recebido pelo público. 

O competente carnavalesco Alex de Souza, que estreou no Salgueiro em 2018 conquistando o terceiro lugar, mais uma vez criou fantasias e alegorias luxuosas e muito bem acabadas.

Ele reclamou, porém, da falta de material no mercado brasileiro, abastecido prioritariamente por fornecedores chineses. Para não correr risco, optou mais pelo espelho, de fácil acesso, do que gostaria. "A crise não é só financeira, é de material também ", disse o carnavalesco após o desfile, demonstrando confiança na vitória apesar dos percalços. 

A empolgação fez com que a escola atravessasse a avenida no limite de 1h15, para o azar dos integrantes que aguardavam com apreensão pela passagem dos últimos carros já na área de dispersão. 

Mas, para Souza, "o tempo foi justo como Xangô", brincou ele, em referência ao orixá das religiões afrobrasileiras, "justiceiro da nação nagô", como traz o samba do Salgueiro. Nessa linha de defesa de direitos, os integrantes da última ala exibiram bandeiras contra a discriminação às minorias.

Além de contar a origem africana de Xangô, o enredo mostrou seus correspondentes no catolicismo, como são Jerônimo, são João Batista e são Pedro. 

O desfile também fez diversas referências à Bahia, berço do sincretismo religioso no Brasil, e ao enredo apresentado pelo Salgueiro há 50 anos – em 1969 a escola conquistou o quarto título de sua história com uma homenagem à Bahia, em enredo desenvolvido por Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues.

A perspectiva é de que o Salgueiro volte no desfile das campeãs, que vai reunir no próximo sábado, 9, as seis escolas mais bem colocadas dentre as 14 concorrentes. 

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