(AP Photo / Leo Correa)
(AP Photo / Leo Correa)

'Se hoje temos o maior espetáculo, agradeça à contravenção', diz Neguinho da Beija-Flor

Intérprete da escola de samba vencedora neste ano afirmou que o dinheiro sujo organizou o carnaval do Rio de Janeiro

Lucas Azevedo, Especial para O Estado

19 de fevereiro de 2015 | 15h33


PORTO ALEGRE - Intérprete da escola de Samba Beija-Flor e um dos sambistas mais famosos do país, Neguinho da Beija-Flor afirmou que o dinheiro sujo organizou o carnaval do Rio de Janeiro. A declaração foi dada ao vivo, por telefone, na manhã desta quinta-feira, 19, à Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, do Grupo RBS. 

"Se não fosse a contravenção meter a mão no bolso, organizar, estaríamos ainda naquele negócio de arquibancada caindo, desfile terminando duas horas da tarde, cada escola desfilando duas, três horas e a hora que quer. E a coisa se organizou", afirmou. Em seguida, falou em tom irônico: "Se hoje temos o maior espetáculo audiovisual do planeta, agradeça à contravenção". 


O cantor foi questionado sobre a polêmica que envolveu o título da Beija-Flor este ano, de que, ao comemorar a cultura africana, homenageou Guiné Equatorial, país que vive em uma ditadura há 35 anos. Neguinho diminuiu o fato, dizendo que a Europa tem histórico de exploração de negros, mas que comumente é celebrada nos desfiles. 

Sobre o fato de que a Beija-Flor teria recebido um patrocínio de R$ 10 milhões do governo do ditador Teodoro Obiang, Neguinho declarou não ter conhecimento, mas disparou: "Deixa falar. Deu mídia. Deixa falar". E emendou: "A Portela também teve um patrocínio muito forte. O governador do Rio de Janeiro, o Pezão, queria que a Portela ganhasse. Vai dizer que ele não fez investimento? O prefeito (Eduardo Paes) é portelense doente. Vai dizer que não colocaram dinheiro na Portela?". 

Neguinho, então, foi questionado sobre a contribuição de contraventores, como milicianos, donos de bancas do bicho e até de traficantes às escolas. Nesse momento, disse: "Eu sou do tempo que desfile de escola de samba era a maior bagunça. Terminava duas, três horas da tarde. Chegou a contravenção e organizaram [sic]".  


      

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