Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

'Se não der certo, vai todo o mundo para o buraco', diz coronel sobre UPPs na Maré

Porta-voz da PM critica pessimismo em relação às unidades de polícia e cita ataques que pararam a cidade em setembro de 2002

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

01 de abril de 2015 | 10h24

RIO - O relações públicas da Polícia Militar, coronel Frederico Caldas, afirmou durante a ocupação do Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, que existe um sentimento generalizado de pessimismo em relação às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) na sociedade. "As críticas a gente compreende, mas, se não der certo, vai todo o mundo para o buraco", disse o coronel.

"Estar na Maré é um gesto de coragem. Temos problemas na Rocinha, no Complexo do Alemão, no São Carlos, no Turano... São 38 UPPs. Mas vamos voltar ao que era antes? Ao 11 de setembro de 2002, quando o Rio parou?", indagou.  

O coronel se referia à rebelião ocorrida no Presídio Bangu 1, na zona oeste, em que três traficantes foram assassinados por rivais, comandados por Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Da prisão, criminosos ordenaram o fechamento do comércio em vários bairros. Houve saques e policiais foram atacados.

No mês seguinte, a sede do governo foi alvejada por tiros de fuzil. Caldas comparou ainda as críticas ao aumento da inflação no Brasil. "Se a inflação está alta, significa que vamos acabar com o Plano Real?" 

Duas comunidades da Maré, Praia de Ramos e Roquette Pinto, já estão ocupadas pela PM, que substitui o Exército e a Marinha. A PM começou por elas por ser uma área não conflagrada e dominada por um grupo de milícia.

A próxima etapa, nas Favelas Nova Holanda, Parque União, Nova Maré e Rubens Vaz, será mais complexa pela presença de traficantes. Na Maré, existem criminosos de três facções rivais, o que faz com que a UPP do complexo seja um desafio tão grande para o processo de pacificação quanto foram o Complexo do Alemão e a Rocinha, afirmou o relações públicas da PM. 

Moradores ouvidos pelo Estado disseram que não temem a troca das Forças Armadas pela PM. "Para quem é trabalhador, tanto faz. Aqui é uma favela tranquila. Acho que a PM talvez tenha mais jeito com a população do que o Exército", disse o garçom Ocyr Feitosa, de 38 anos, cearense que mora na Maré há 19 anos.

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