Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Se Rogério 157 voltar, nós voltaremos, diz ministro da Defesa

Imaginar que nós vamos conseguir chegar ao delito zero é evidentemente uma utopia, diz Raul Jungmann

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2017 | 12h50

RIO - O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que se o chefe do tráfico da favela da Rocinha, na zona sul do Rio, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, voltar à região, as Forças Armadas também retornarão.

O ministro afirmou que um dos motivos para a saída das tropas foi a informação de que Rogério deixara  a favela, como havia dito ao Estado nesta quinta-feira, 28.

"Soubemos que ele não estava mais na Rocinha, então não fazia mais sentido manter aquele efetivo lá, paralisado. Além disso, temos várias outras operações programadas, em outras comunidades, que também reclamam a presença das Forças Armadas", disse Jungmann. "Mas se ele voltar nós voltaremos, estamos organizados para retornar em duas horas, caso sejamos acionados de novo", afirmou.

Questionado sobre os relatos de violência que já foram registrados na Rocinha desde a noite de quinta-feira , quando foi anunciada a retirada - na manhã desta sexta-feira houve um homem foi preso por esfaquear outro na comunidade -, Jungmann disse que "é utopia" que os crimes sejam zerados. 

"A Rocinha tem 70 mil habitantes e muitos homicídios, imaginar que nós vamos conseguir chegar ao delito zero é evidentemente uma utopia. Essa questão é policial e deve ser resolvida no âmbito das polícias", disse.

O ministro também criticou a proposta da Defensoria Pública da União que defende o retorno de todos os detentos que estão há dois anos ou mais no sistema penitenciário federal aos seus Estados de origem.

"Isso é dar um mãozinha ao crime organizado. Espero que isso seja barrado. Isso não é a favor dos direitos humanos, é a favor dos criminosos que matam", disse.

Reportagem do jornal O Globo desta sexta-feira afirma que a Defensoria Pública da União pediu que todos os detentos de presídios federais sejam enviados de volta a seus Estados.

A ação, protocolada no Supremo Tribunal Federal, poderia levar de volta ao Rio 55 chefes do tráfico, como Fernandinho Beira-Mar e Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem (ex-comandante do tráfico na Rocinha).

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