Daniel Teixeira/Estadão
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Secretário nega racionamento no RJ, mas não descarta no futuro

À frente da pasta de Ambiente, André Correa condiciona medidas posteriores ao volume de chuva no Estado e defende tarifa

Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

23 Janeiro 2015 | 13h42

RIO DE JANEIRO - O secretário estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, André Corrêa, afirmou nesta sexta-feira, 23, que não está sendo adotado nenhum tipo de racionamento no Estado fluminense. Segundo ele, isso não deverá ocorrer nos próximos seis meses, período em que se estima que a reserva de 2,1 trilhões de litros do volume morto (reserva técnica) do reservatório de Paraibuna possa abastecer a região metropolitana do Rio. No entanto, ele não descartou a possibilidade de racionamento se não chover nesse prazo.

Na quarta-feira, 21, o nível do reservatório de Paraibuna, o maior dos quatro que abastecem o Estado do Rio, chegou a zero pela primeira vez na história. Com isso seu volume morto teve de ser acionado, acontecimento inédito. 

Segundo Corrêa, entretanto, algumas empresas localizadas no fim da foz do Rio Guandu poderão ter seu abastecimento afetado nesses seis meses. O secretário voltou a dizer que o abastecimento humano será prioridade absoluta. Isso inclui principalmente companhias do polo industrial de Santa Cruz e Sepetiba. "As empresas estão sendo alertadas há mais de um ano sobre a crise", disse.

Medidas como a sobretaxa de consumidores de maior volume de água estão, segundo ele, em discussão, mas não há nenhuma decisão tomada pelo governo ainda. "Particularmente, eu defendo um modelo tarifário, não por causa da crise mas alguma coisa permanente e estruturante que estimule o consumo eficiente e racional de água. Infelizmente a parte mais sensível do ser humano é o bolso. Não temos esse modelo pronto, mas pedimos esses estudos", afirmou.

Atualmente, segundo o secretário, nove cidades do estado já sofrem com problemas de abastecimento, entre as quais Barra do Piraí, Vassouras, Três Rios e Itaocara. Ele afirma que a Cedae já está fazendo obras para a readequação do sistema de captações dessas cidades. Entretanto, há municípios como Bom Jesus de Itabapoana e São João da Barra que têm situação mais preocupante. Uma alternativa também em estudo pelo órgão é tratar e utilizar a chamada água de reuso.

"Minha preocupação é nem fazer terrorismo, nem dizer que está tudo bem. 2015 será um ano duro. Não é hora de lavar calçada com a mangueira ou regar jardim", disse em entrevista coletiva, fazendo um apelo à população para economizar água. "Estamos vivendo a maior crise hídrica da história do Sudeste". O secretário afirmou que o Rio tem hoje condições operacionais muito melhores que São Paulo.

Correa também informou que o acordo sobre a transferência de água do Paraíba do Sul para a Cantareira ainda está sendo acertado e depende da definição do nível dos reservatórios, que seria razoável para não comprometer o abastecimento do Rio. "Nós não vamos abrir mão da segurança hídrica do Rio de Janeiro", disse.

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