EFE/ Antonio Lacerda
EFE/ Antonio Lacerda

Segunda noite de desfiles no Rio concentra fortes candidatas

Em 33 anos de Sambódromo, apenas cinco vezes uma escola de samba que se apresentou no domingo saiu vencedora da Sapucaí

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2018 | 03h00

Diz a tradição carnavalesca que a campeã da folia carioca sempre sai da segunda-feira. Em 33 anos de Sambódromo, só cinco vezes uma escola de samba que se apresentou no domingo saiu vencedora. Este ano, a expectativa sobre a última noite é ainda maior, por ela concentrar agremiações de forte apelo popular e muitas vitórias, como Portela, atual campeã (ao lado da Mocidade). Há ainda Beija-Flor (com 13 títulos) e o Salgueiro (com nove, considerados todos os desfiles, desde os anos 1930).

++ Confira como foi o primeiro dia de desfiles do carnaval de São Paulo 2018

A explicação para a “maldição do domingo”, acredita-se, está no modo como se dá o julgamento. Os 36 jurados dos nove quesitos lançam as notas na manhã de terça-feira, ao fim de 13 desfiles, e as escolas de segunda-feira estariam mais “frescas” na memória. O Grupo Especial comporta 12 escolas,mas em 2017 nenhuma delas caiu para a série A, por ter sido um ano atípico, com dois acidentes graves com carros alegóricos na pista.

Nesta segunda-feira, os enredos vão da alegre homenagem à trajetória do ator, diretor e dramaturgo Miguel Falabella, na Unidos da Tijuca (que abre a noite), às mazelas sociais apresentadas pela Beija-Flor. A escola de Nilópolis fala de miséria e intolerância, a partir da figura do monstro de Frankenstein, de Mary Shelley, em narrativa concluída com a redenção por meio da festa e do samba.

“Somos uma escola que sempre briga pelo título”, provoca Bianca Behrends, da comissão de carnaval da escola de Nilópolis. “Vamos mostrar a imundície da corrupção e outros monstros brasileiros.”

++ Sapucaí tem medidas de segurança para evitar novos acidentes

A União da Ilha fala de culinária e pôs em sua panela as influências europeia, indígena e negra. O Salgueiro, afeito a temáticas ligadas à África, cantará as Senhoras do Ventre do Mundo, partindo da “Eva africana”, mulher da qual toda a humanidade teria derivado.

Já a Imperatriz leva ao público Uma Noite Real no Museu Nacional, com foco na instituição científica carioca cujo prédio abrigou a família real portuguesa. A premissa é de que só com a vinda de D. João VI, 308 anos depois da chegada dos colonizadores, é que o Brasil começou a ser inventado como País. 

Portela e Tijuca. Na Portela, a veterana Rosa Magalhães - a maior vencedora, com sete títulos, ao lado de Alexandre Louzada, da Mocidade - conta uma passagem pouco conhecida de nossa história: a ida de judeus europeus baseados no Recife para Nova Amsterdam, futura Nova York, no século 17. 

O desfile promete ser um brado contra a xenofobia. “Vamos mostrar que somos todos imigrantes. O Brasil é acolhedor, não rejeitamos os de fora”, explica Rosa.

Mais uma vez, a crise afastou as empresas patrocinadoras da Sapucaí. “Eu já peguei várias crises, a gente se vira como pode. A pior foi a do (ex-presidente Fernando) Collor”, brinca Rosa, em atividade há mais de 40 carnavais, referindo-se ao confisco ocorrido em 1990. “Tentamos patrocínio, mas todo mundo aproveita e diz que ainda está em dificuldades”, explica Fernando Horta, presidente da Unidos da Tijuca. 

A escola intensificou os cuidados com os carros alegóricos após um deles ter desabado, ano passado, ferindo 12 pessoas. O acidente foi provocado por um defeito no elevador hidráulico que levantava o segundo andar da alegoria. Por isso, a direção da escola vetou o equipamento no desfile deste ano.

++ Quadra da Beija-Flor é interditada pela Justiça

SEGUNDA NOITE

Segunda-feira

21h15 

Unidos da Tijuca

Enredo: Um coração urbano: Miguel, o Arcanjo das Artes, saúda e povo e pede passagem

22h20 

Portela

Enredo: De repente de lá pra cá e dirrepente de cá pra lá...

23h25 

União da Ilha 

Enredo: Brasil bom de boca 

Terça-feira

0h30 

Acadêmicos do Salgueiro

Enredo: Senhoras do Ventre do Mundo

1h35 

Imperatriz Leopoldinense

Enredo: Uma noite real no Museu Nacional

2h40 

Beija-flor de Nilópolis

Enredo: Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.