Segundo suspeito de matar comandante de UPP é preso no Rio

Diego Oliveira Coelho passava informações sobre a localização de policiais; Uanderson da Silva foi morto com tiro no peito

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2014 | 20h33

RIO  - Dois homens foram presos nesta sexta-feira, 12, pelo suposto envolvimento no assassinato do capitão Uanderson Manoel da Silva. O comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Nova Brasília, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, foi morto na quinta-feira, 11.

Diego Oliveira Coelho, de 23 anos, passava informações sobre a localização de policiais para traficantes. Cassiano da Silva Harris, de 20 anos, foi reconhecido por policiais. Ele carregava granada semelhante ao artefato encontrado no local onde o policial foi atingido por um tiro no peito. 

Apesar de pertencerem a favelas diferentes (Harris era do Complexo da Penha e Coelho, do Alemão), eles teriam ligações com a facção criminosa Comando Vermelho (CV), que liderava os dois conjuntos de favelas antes da pacificação. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, pedirá a transferência de Harris para um presídio federal. “Não vou esperar que outra granada caia e mate quatro ou cinco PMs.” Meia hora antes da morte do capitão, Harris participou do ataque a uma viatura na Penha e usou uma granada que, com defeito, não detonou.

À frente da UPP Nova Brasília há três meses, o capitão Uanderson foi o primeiro comandante a morrer em serviço. Desde 2012, ocorreram 14 mortes de agentes de UPP em serviço. Ele era casado com a capitão da PM Bianca da Silva, com quem tinha uma filha de 7 anos.

O capitão foi atingido no peito por um tiro de pistola 9 mm, quando socorria policiais que foram atacados no Largo da Vivi, perto da sede da UPP. “Ele recebeu alerta de prioridade e saiu em socorro dos colegas sem colete. Não é fácil ver uma família devastada, (mas a morte dele) legitima nossas ações”, disse o secretário, durante o velório do comandante no cemitério Jardim da Saudade, na zona oeste da cidade.

“Temos resistência em dois ou três territórios, mas não podemos esquecer que são 230 (com UPP) com índices de criminalidade menores.” Beltrame ressaltou que a desorganização urbanística das favelas serve de trincheira para os criminosos e que “os PMs ficam à mercê de qualquer ato de covardia”.

“É triste ver um policial sair de casa para levar a paz a um território conflagrado por mais de 30 anos (de violência) e perder a vida para defender os cidadãos”, disse o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Segundo ele, há 800 policiais no conjunto de favelas, até mesmo dos batalhões de Operações Especiais (Bope) e de Choque. “O tráfico, principalmente no Alemão, que era a central do crime organizado no Estado, tenta desestabilizar as UPPs. Mas não tem recuo na política de pacificação”, disse o governador. 

O comandante das UPPs, coronel Frederico Caldas, ressaltou que, desde março, o Complexo do Alemão vem apresentando problemas. Por isso, a PM traçou estratégias para minimizar os confrontos e reduzir a quantidade de pessoas feridas. “Contudo, persistem tentativas dos criminosos no sentido de intimidar e atacar de maneira covarde nossos policiais.”

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