Seis mortos durante acidente de trem já foram identificados

Das 101 pessoas feridas durante o choque, em Nova Iguaçu, 21 permanecem internadas em três hospitais

Pedro Dantas e Gustavo Miranda,

31 Agosto 2007 | 11h47

Das 101 pessoas feridas durante um choque entre dois trens próximo à estação de Austin, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, 21 continuam internadas em três hospitais da região - o da Posse, o Getúlio Vargas e o de Saracuruna. Seis corpos dos oito mortos já foram identificados no Instituto Médico Legal da cidade.   Veja também: "Estava sentado, senti a pancada e voei longe", conta estudante Privatização não resolveu problemas nas linhas Governo encerra resgate às vítimas  Laudo do choque de trens sai em 10 dias Concessionária já foi multada duas vezes Veja local do acidente  Veja outros acidentes no Brasil e no mundo  Galeria de fotos    As famílias do operário Renan Pedrosa Moreira, de 18 anos, do policial militar reformado Jessé da Silva Lourosa, de 70 anos, do vendedor Severino Inácio da Silva, de 46 anos, do caminhoneiro Jerônimo Pereira dos Santos, de 30 anos, da dona de casa Érica da Silva, de 25 anos, e da empregada doméstica Rosana Teófilo  identificaram os mortos entre as vítimas cujos corpos foram levados ao IML.   "Ela foi comprar um nebulizador para o filho de dois anos e aconteceu essa tragédia", disse Ana Paula Silva, prima de Érica, uma das identificadas. "A mãe e o marido dela estão sedados diante do choque e a criança chama o tempo todo pela mãe". Bombeiros e técnicos da Supervia trabalham no local do acidente, na estação de Austin, para retirar as composições avariadas dos trilhos.   Segundo a assessoria de imprensa da Supervia, empresa que administra o transporte metropolitano de trens no Rio de Janeiro, e um boletim divulgado no final da manhã desta sexta-feira, 31, pela Secretária de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro, 80 pessoas foram liberadas depois de receberem os primeiros socorros, em diversos hospitais que receberam os feridos durante o acidente.   O Conselho Diretor da Agência Reguladora de Serviços Públicos dos Transportes do Rio de Janeiro (Agetransp) deve abrir ainda nesta sexta-feira, 31, um processo regulatório para apurar as causas do acidente entre dois trens, nas proximidades da estação Austin, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O acidente matou oito pessoas e deixou pelo menos 101 feridos.   Técnicos da Câmara de Transporte da Agetransp, acompanhados de funcionários da equipe de fiscalização da Central, acompanham, desde quinta-feira, os trabalhos de resgates e apuração das causas pela Supervia, empresa concessionária dos transportes ferroviários metropolitanos da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. A Câmara de Transporte da Agetransp vai recolher as primeiras informações necessárias para subsidiar as análises das causas e efeitos que envolveram a operação e, posteriormente, adotar as providências cabíveis.   Até agora, segundo a Supervia, não se pode afirmar as causas ou circunstâncias em que aconteceu o acidente. O diretor de Operações da empresa, João Gouvêa, afirmou que só após a perícia será possível identificar as causas do choque. "Os dois maquinistas não faleceram e serão úteis para esclarecer o que houve. O laudo deve sair em dez dias. Só então saberemos detalhes como a velocidade das composições."   Para o presidente do Sindicato dos Ferroviários do Rio de Janeiro, Valmir Lemos, o acidente aconteceu por problemas de sinalização. "Nós fazemos essa denúncia há anos: a manutenção da via férrea é precária." Segundo o estadao.com.br apurou, um dos trens tinha cerca de 400 passageiros e o outro estava vazio, no momento do choque.   De acordo com a concessionária da via férrea, o trem WP-908 atravessava da linha 1 para a linha 2 quando foi abalroado pelo trem de passageiros prefixo UP-171. O choque foi tão forte que o último vagão do WP-908 descarrilou. Os dois primeiros carros do outro trem também saíram dos trilhos. Muitas pessoas ficaram presas às ferragens.   O UP-171 tinha partido às 15h10, da quinta, da Central do Brasil rumo a Paracambi. O acidente ocorreu a cerca de 200 metros da Estação de Austin. Moradores das redondezas, ao ouvirem o estrondo, correram para o local e socorreram as vítimas em estado menos grave, levadas de carro a hospitais próximos.   Mais cedo, a Supervia enviou um comunicado afirmando que o maquinista Lourival Ribeiro do Nascimento, de 50 anos, está vivo.  Nascimento permanece internado no hospital Cardiotrauma e seu quadro é estável. O nome de Lourival chegou a ser divulgado, pelo IML, como um dos corpos identificados por familiares nesta sexta.

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