WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Sem subvenção, escolas de samba do Rio ameaçam não desfilar em 2018

Marcelo Crivella (PRB) anunciou que cortará pela metade a subvenção de R$ 24 milhões oferecida às agremiações

Fábio Grellet e Lucas Gayoso, O Estado de S. Paulo

15 de junho de 2017 | 11h44
Atualizado 15 de junho de 2017 | 16h41

RIO - Diante do anúncio de que, em 2018, a Prefeitura do Rio cortará pela metade a subvenção de R$ 24 milhões oferecida às escolas de samba do carnaval carioca, dirigentes das agremiações decidiram em reunião encerrada na noite de quarta-feira, 14, que, dessa forma, não será possível realizar o tradicional desfile anual.

A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) promoveu a reunião para debater o tema e anunciou que, "a prevalecer a decisão" do prefeito Marcelo Crivella (PRB), "as apresentações das escolas de samba no carnaval de 2018 ficarão inviabilizadas". Em nota divulgada após a reunião, os dirigentes da Liesa cobram uma reunião dos presidentes das 13 escolas do Grupo Especial com o prefeito.

Crivella é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), que tradicionalmente condena os festejos do carnaval entre seus fiéis. Apesar disso, os dirigentes das principais agremiações da Liesa apoiaram a candidatura de Crivella no segundo turno das eleições do ano passado, quando o atual prefeito venceu o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).

Na nota, a Liesa argumenta que o desfile das escolas de samba, como principal evento do carnaval carioca, gera empregos e renda, traz benefícios econômicos para a cidade e valoriza a imagem do Rio. Com isso, contribui para a elevação da arrecadação de impostos da prefeitura.

“Tal medida anunciada trará graves consequências para a produção do espetáculo, tornando inviável a realização do mesmo, nos moldes em que é anualmente apresentado”, diz a nota. 

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) Jorge Castanheira afirmou que aguarda uma audiência com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella para decidir os rumos desfile no carnaval em 2018. De acordo com Castanheira, a apresentação pode ficar inviabilizada caso a prefeitura caso a prefeitura mantenha a decisão de cortar pela metade a verba destinada às escolas de samba.

A reunião será marcada após Crivella retornar de uma viagem. "É um valor muito substancial no orçamento da escolas. Representa cerca de um terço do que elas recebem para desfilar. Nós vamos tentar achar uma solução boa para nós e para a prefeitura, pois a perda de metade da verba pode inviabilizar a apresentação", disse.

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