Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

'Será que dá para me atender agora?', pede diretor do Museu Nacional

Kellner relatou ao 'Estado' que esteve no Palácio do Planalto para entregar convite da festa dos 200 anos do museu ao presidente Michel Temer, mas não foi atendido. Ele pede mais atenção também por parte da prefeitura

Entrevista com

Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 03h00

Ainda em entrevista exclusiva ao Estado, Kellner afirma que esteve pessoalmente no Palácio do Planalto em maio para entregar ao presidente da República, Michel Temer, um convite para a festa dos 200 anos do museu, comemorados em junho. Ele conta que não tinha uma audiência marcada, mas que esperou durante horas para ser atendido, sem sucesso. Ele também reclamou da falta de atenção da Prefeitura em relação ao museu e diz que ainda não foi recebido pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB). “Será que dá para me atender agora?”

É verdade que nenhuma autoridade aceitou o convite para o evento em comemoração aos 200 anos do museu, em junho passado?

Não tivemos interlocução nenhuma. O ministro (da Cultura, Sérgio) Sá Leitão foi o único que nos recebeu. Eu tenho grandes divergências com ele em relação à gestão dos museus. Mas fico feliz de ter sido recebido. Foi o único que me recebeu. Ah, o Moreira Franco (ministro das Minas e Energia) também me recebeu por cinco minutos. E eu falei com ele que era importante que eu conseguisse falar com o presidente (Michel Temer). Isso desde antes dos 200 anos. Tentamos falar com vários ministros. Estive em Brasília sete vezes! E não foi pelas praias! Procurei várias pessoas. Meu desespero era tão grande, que fui pessoalmente ao Palácio do Planalto para entregar o convite (dos 200 anos) ao presidente. Não tinha audiência marcada com ninguém, mas achei que era importante ir pessoalmente. O que mais eu poderia fazer? Ficar nu na frente do Congresso?

Quando fala sobre ajuda do governo....

Precisamos do apoio da guarda municipal, de forma ostensiva, para que não haja a depredação do palácio. Precisamos que o prefeito nos receba. Não quero ser recebido para apontar dedo nem para pedir dinheiro. Temos demandas que não envolvem dinheiro. Até porque, para fazer qualquer coisa no parque, como exposições temporárias, eu preciso do apoio do prefeito. (A Quinta da Boa Vista, onde fica o museu, é administrada pela Prefeitura). Será que dá para me atender agora?

Quais eram as condições da rede elétrica do museu? Várias reportagens mencionaram uma situação crítica, com fios desencapados e risco de curto....

Isso não é verdade. Não tinha fio desencapado. Eu mesmo verifiquei toda a fiação do museu junto com profissionais. A rede elétrica tinha sido parcialmente renovada por administrações anteriores. A sombra que pairava sobre a nossa cabeça, sim, era termos um sistema interno de combate a incêndio que deixava a desejar.

Mas o museu estava funcionando sem o alvará dos bombeiros?

Tecnicamente não precisamos de um alvará dos bombeiros para funcionar, é uma outra documentação. Não houve negligência que eu tenha conhecimento.

Diretor teve encontro com representantes de ministérios, diz Planalto

O Palácio do Planalto informou em nota oficial divulgada nesta sexta-feira, 6, que não há registro da visita do diretor do Museu Nacional/UFRJ, o paleontólogo Alexander Kellner, ao gabinete da Presidência da República. “Ele (Kellner) esteve no Palácio do Planalto, na Secom (Secretaria de Comunicação), e conseguiu falar com o Ministério do Planejamento e com o Ministério da Cultura reivindicando terreno ao lado do Palácio de São Cristóvão para transferir parte do acervo, mas essa questão depende de concordância do TCU (Tribunal de Contas da União) e não só do Executivo. Houve reunião sobre esse tema. O diretor não fez nenhum alerta sobre risco de incêndio no prédio. O governo já tinha apoiado o pleito de R$ 20 milhões do BNDES para o museu.”

A Prefeitura do Rio, em nota oficial, lamentou que Alexander que "o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, tente justificar o desastre da sua gestão com ataques ao prefeito Marcelo Crivella". "Como bem se sabe, o prédio em questão é de responsabilidade do Governo Federal. Na visão da Prefeitura do Rio, o senhor Alexander está usando o nobre espaço desse estimado jornal para fazer política partidária. O prefeito Marcelo Crivella segue firme na intenção de colaborar para que a estrutura do Museu Nacional seja restaurada e o equipamento devolvido à população. Sobre o inestimável acervo, é importante que os governos Federal, Estadual e Municipal se unam para recuperar o que for possível, além de garantir que outras peças possam ser expostas ao público.

Na última quarta-feira, o Corpo de Bombeiros concluiu que o Museu Nacional estava irregular no que se refere à segurança contra incêndio e pânico. “O órgão não tem o Certificado de Aprovação (CA) da corporação, o que significa que está irregular no que diz respeito à legislação vigente de segurança contra incêndio e pânico”, informou em nota.

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