MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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Sete policiais são acusados pela morte do dançarino DG no Rio

Cinco dos PMs acusados eram novatos na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da favela Pavão-Pavãozinho

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

04 Março 2015 | 18h03

RIO - O inquérito que apurou a morte do dançarino Douglas Rafael Pereira Silva, o DG, no morro Pavão-Pavãozinho (Copacabana, zona sul) em 22 de abril do ano passado acusa sete policiais militares de envolvimento no crime. Cinco dos PMs eram novatos na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da favela. 

De acordo com o delegado Gilberto Ribeiro, da 13ª Delegacia de Polícia (DP), o autor do disparo foi o soldado Walter Saldanha Correia Júnior, que trabalhava havia seis meses na favela. Quatro PMs que estavam com ele no momento do tiro que vitimou o dançarino foram indiciados por prevaricação e falso testemunho. Eles tinham um mês de serviço na UPP.


Todos mentiram nos depoimentos e combinaram a mesma versão à polícia, apontam as investigações. DG tinha 22 anos. Trabalhava com a apresentadora Regina Casé no programa Esquenta, da Rede Globo. 

O inquérito foi entregue nesta quarta-feira ao Ministério Público Estadual. O delegado sustenta que, no momento em que foi baleado, DG não oferecia perigo aos policiais, apesar de, pouco antes, ter havido uma troca de tiros entre PMs e bandidos da favela.

“Eles tiveram o dolo de matar e sabiam que, naquela posição, a vítima não oferecia risco algum”, disse Ribeiro, que pediu para o Ministério Público requerer à Justiça a prisão preventiva de Correia Júnior por homicídio doloso qualificado. 

Outros quatro PMs que participaram da ação não foram indiciados. O inquérito pede sete indiciamentos. Dois policiais que encontraram o corpo do dançarino no dia seguinte ao do assassinato também foram indiciados por prevaricação e falso testemunho.

Segundo as investigações, o tiro que matou DG foi disparado de baixo para cima. Correia Júnior e quatro PMs estavam sob um prédio na favela. No quarto andar, sobre um beiral da janela, o dançarino se protegia do tiroteio. A movimentação de DG teria feito com que parte do beiral desabasse. Os policiais teriam pensado que se tratava de uma bomba. Foi quando, segundo o inquérito, o PM atirou. Nenhum dos policiais indiciados mencionou o disparo em depoimento. 

O delegado descartou que DG tenha sido torturado ou morto à queima-roupa. Ele disse que, do prédio onde o dançarino estava, teriam fugido três traficantes e que o local era ponto de observação do tráfico. 


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