Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Símbolo dos protestos no Rio, Batman vibra com gol da Croácia

Sob flashes de jornalistas de todo o mundo, ativista disse que não tem nada contra a seleção brasileira

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2014 | 19h42

 RIO - Símbolo das manifestações que tomam as ruas do Rio desde junho passado, o Batman comemorou o gol - da Croácia. O protético Eron Morais Melo, de 33 anos, participava de mais um protesto na Avenida Atlântica, na Praia de Copacabana, quase em frente ao telão da Fan Fest, quando começou a pular e correr, acompanhando os black blocs que o ladeavam. 

Mas quase 20 minutos depois, quando Neymar marcou, Batman não acompanhou a vaia dos manifestantes “Não tenho nada pessoal contra a seleção”, afirmou, durante o segundo protesto do dia. “Não consigo separar o esporte dessa sujeira que está por trás da Copa. Se o Brasil ganhar, toda injustiça, desvio de dinheiro, as famílias que perderam suas casas, tudo será justificado. Corre o risco de o gigante entrar em coma”, afirmou, referindo-se ao mote “o gigante acordou”, sobre a participação popular nos protestos. 

Vestido como o personagem da DC Comics, ao longo desse último ano ele caminhou contra o reajuste das passagens, pelos professores, em defesa da Aldeia Maracanã, fez vigília na casa do governador. Só não estava ao lado dos garis porque depois de tanta andança caiu doente: anemia severa. Teve de se recolher.

O dia de manifestações começou cedo - sua rotina de protestos foi acompanhada por documentaristas da Itália, Estados Unidos e França. Como uma celebridade das manifestações, foi fotografado, filmado, entrevistado. Na Avenida Rio Branco, no centro, recebeu a aclamação dos manifestantes quando subiu sobre o teto de um ônibus, no momento em que o trânsito foi interrompido. Na Lapa, estava sobre os Arcos quando a polícia lançou bombas de gás. Afastou-se, sem ser atingido. “Estou acostumado ao gás”, gabou-se.

À tarde, em Copacabana, encontrou os companheiros de manifestações, a Mulher Gato, encarnada pela professora Lidiane Dantas, de 29 anos, e o Batman Pobre, vestido com sacos de lixo, personagem criado em 2012 pelo artista Carlos D., de 43. Na praia, tentou argumentar que não deveria marchar em direção aos torcedores, e sim para o lado oposto, onde está montado o centro de imprensa. Foi voto vencido. Mesmo assim, entoou empolgado as palavras de ordem. “Copa é o c... No Maraca, tem sangue de operário”.

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