Constança Rezende/Estadão
Constança Rezende/Estadão

Sindicato ainda não cumpriu decisão que ordena fim de greve em Bangu

Agentes penitenciários até 24 horas para suspender paralisação; mesmo com cancelamento de visitas, algumas pessoas foram a Gericinó

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2017 | 14h11
Atualizado 19 Janeiro 2017 | 22h43

RIO - A greve dos funcionários do sistema penal continuou, nesta quinta-feira, 19, pelo terceiro dia consecutivo, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio. O Tribunal de Justiça do Rio determinou, na quarta-feira, que a paralisação acabasse. Os agentes tinham até 24 horas para cumprir a medida, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. O pedido na Justiça foi feito pelo governo fluminense.

Apesar da greve, que cancelou as visitas de familiares dos presos, algumas pessoas insistiram nesta quinta em ir até o complexo para tentar entrar e ver seus parentes. Foi o caso de Maria Nascimento, de 82 anos. Ela veio de Campo Grande para visitar o neto de 30 anos, preso por tráfico de drogas há cinco anos. 

"Cada dia de visita é uma despedida nossa. Estou com câncer na bexiga e não posso perder nenhum dia com ele. Ele chora muito quando eu venho, fui eu quem o criou", disse a senhora, emocionada. "Eu sabia do cancelamento da visita, mas vai que eles deixam. Cada vinda minha aqui é um sacrifício. Ele não tinha nada na ficha criminal, antes disso."

Na decisão do TJ, o desembargador Luiz Fernando Ribeiro destacou a crise no sistema carcerário do País e alegou que a proibição da visitação dos presos pelos parentes "fere a dignidade e o exercício de direitos fundamentais daqueles que se encontram custodiados nas unidades da Seap (Secretaria de Administração Penitenciária)".

O Sindicato dos Servidores do Sistema Penal avisou que recorrerá da decisão. O presidente do órgão, Gutembergue de Oliveira, disse que a decisão do TJ foi "política".

"A abusividade por parte do governo é muito maior do que a nossa. Estamos pautados por elementos justíssimos. Agora, é claro que sabemos que esta é uma decisão política (de interromper a greve), que não tem sustentação técnica. Abusiva é a conduta do governo, que não faz nada para diminuir a população carcerária", afirmou. 

Nesta quinta, a Seap divulgou a informação de que um preso morreu na Cadeia Pública Pedro Melo da Silva, que fica no Complexo, no último dia 16. Diego Maradona Silva Souza foi encontrado morto na cela. No comunicado, não são informadas as causas da morte.

Apesar disso, fontes ligadas o sistema carcerário ouvidas pelo Estado disseram que o preso teria sido morto por outros detentos. Ele teria sido preso em flagrante por estupro de vulnerável.

A Seap informou que Souza estava preso em uma cela chamada "seguro" - dedicada a presos com risco de morte, como os acusados por crimes sexuais. 

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