Sininho não estaria no Rio em nenhum dos atos marcados para final da Copa, diz pai de ativista

Justiça decidiu pela prisão temporária dizendo que havia indícios de que era planejada "a realização de atos de extrema violência"

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2014 | 18h26

RIO - O bancário aposentado Antônio Sanzi, pai de Elisa Quadros Sanzi, conhecida como Sininho e presa em Porto Alegre neste sábado, 12, sob a acusação de formação de quadrilha armada, por ter participado de manifestações de rua que acabaram em violência, disse que a filha não estaria no Rio em qualquer dos atos marcados para a final da Copa do mundo, no domingo. Ela ficaria em Porto Alegre, onde visitava a família.

Um dos argumentos usados pelo juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, da 27.ª Vara Criminal, para a prisão temporária de Sininho e de outras 16 pessoas levadas para o complexo de Bangu é de que havia “sérios indícios” de que estava sendo planejada “a realização de atos de extrema violência”. Ao anunciar as prisões, o chefe de Polícia Civil, Fernando Veloso, afirmou que o objetivo da operação de cumprimento dos mandados, era evitar atos violentos no dia da final.

Sanzi viu com naturalidade a segunda prisão da filha - ela já havia sido encarcerada há nove meses, também por participação em protestos. “Ela é uma militante política. É natural que isso aconteça num país no momento em que o Brasil está, judicial-policial. O poder judiciário não tem a menor independência. Estamos aguardando o desfecho. Essas prisões não se sustentam”, disse Sanzi nesta terça-feira, 15, em entrevista por telefone ao Estado.

Ele não acredita que, uma vez libertada, Elisa vá se intimidar e deixar de participar de atos nas ruas. “Ela está fazendo aquilo que todos os jovens deveriam estar fazendo. Não é uma leviana. Somos uma família de pessoas que querem construir um país um pouco melhor. As manifestações não são uma moda passageira.”

Natural de Porto Alegre, Elisa tem 28 anos e desde os 11 vive no Rio com a mãe, psicóloga e professora, e o padrasto, geólogo. Ela se formou em cinema e vinha trabalhando em produções de filmes e de comerciais. Atualmente, mora sozinha em Copacabana. Nos últimos dias, estava na capital gaúcha visitando familiares. 

“Ela não oferecia risco algum, todo mundo sabe disso, é incapaz de um ato de violência de espécie alguma. Esse juiz cometeu um crime contra a cidadania. Ela é dirigente política. Se vão 30 mil pessoas numa manifestação, não é razoável que haja infiltrados?” 

História. Sanzi tem 64 anos e nos anos 1980, quando dirigente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, participou da fundação do PT e da CUT na cidade. Tornou-se amigo de dois nomes da velha-guarda petista com projeção nacional, Olívio Dutra e Tarso Genro. No fim da ditadura, foi preso três vezes. “Hoje minha vida está sendo vítima de um Estado administrado por velhos companheiros meus”, lamentou. Ele hoje milita pela melhoria dos transportes públicos e faz parte da Refundação Comunista, grupo formado por ex-petistas que seguem a doutrina marxista.

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